sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ensaio de Amor

Em linhas ofuscas, riscos e rabiscos de nosso incógnito passar
Insólito dramaturgo é a vida, e sua teimosa mania de escrever vidas
E o que será dela senão um tenro ensaio de amor?
Cada ríspido conflito, cada abraço rejeitado, cada beijo na testa...
Alegra-se; berra silenciosamente ao encontrar-se com aqueles olhinhos manhosos, que trazem consigo toda a altivez da beleza
Apaixona-se cansativamente com seu carinho e sua carência
Chora a insônia refletiva de sua ausência

(...)

Frutas no chão. Na sala, a cadela chafurda sapatos esquecidos
Conversas embaixo dos lençóis com seu rosto adormecido
Transpira cuidado, sonha afeto. De tanto que quis ser, vai ser...
Como é bom contemplar o otimismo do que me espera!
Enxergar como minha juventude ainda não era
Nunca fui bobo, já fui boêmio
Embriaguei-me no esplendor desse encanto
Entôo a melodia de um novo canto
Em minhas orações, peço a Deus para que este seja
Meu infindável tenro ensaio de amor.

(Flávio Pinheiro)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Longe de mim






Amor divagante

Díspar

 Raiz seca; sepulta

 

Abre-se em flor –

Dogma perjuro

 

Larga teu costume vil

Tua profundeza visceral

Que essa loucura outros a tomem

 

Pois se és tu o amor que fatalmente se vai

Se és tu esse pérfido ardor

 

Que se vá antes de vir

Ultraje outros peitos

Longe mim.



(Leandro Matias)