Uma data de soberana estima se avizinha. Minha formatura está chegando. Em breve deixarei o status de acadêmico de Direito e ingressarei na vida real, o tão temido mundo forense. No entanto, por mais amedrontador que pareça, o sentimento que me compõe é de puro fascínio. Dentre incertezas e alegrias, livros e bebidas, desfruto o gozo do dever cumprido.
No decorrer desta etapa, fui agraciado com prezados amigos, e - por que não dizer? – leitores preciosos. Diante da impossibilidade de oferecer o convite formal a todos eles, venho aqui expor minha mensagem final, no afã de homenagear aqueles que me escoltaram à primeira conquista.
Eis meu primogênito triunfo! Recebo o diploma de bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No entanto, não serei apenas mais um corpo coberto de terno e gravata em meio a um arsenal forense. A vitória que conquistei e hoje comemoro não se perfez em um instante; é fruto de um processo delongado e deveras aprazível.
Ao longo da jornada universitária, fui vítima de uma surpreendente metamorfose psíquica. Aprendi que meu papel é vigiar em prol dos valores do Humanismo e do Estado Democrático de Direito. Tive agredados à minha personalidade valores que fazem de mim um jurista mais eqüitativo, um homem mais ético, um ser humano mais digno.
Com muito regozijo, exprimo que não logrei tal êxito sozinho. Fui abençoado com companhias sublimes. Agradeço a Deus, que diariamente me enche de fé para que eu siga sempre em frente; à minha mãe, Sara, a personificação do amor, exemplo divino de educação e afeto, que, com sua incomensurável dedicação aos filhos e inigualáveis lições práticas de determinação, estimulou-me a buscar com perseverança; ao meu pai, Absalão, em quem me espelho, o homem mais honesto que conheço, que com sua admirável sociabilidade e notória inteligência, fez-me enxergar os desvios obrigatórios na estrada da vida; à minha irmã, Albinha, meu anjo terreno, minha melhor amiga, o coração da casa, que, com sua fragorosa vivacidade e preleções cotidianas de amizade, enche os meus dias de alegria e da certeza de que nunca estarei só; à minha namorada, Rafaela, por fazer meu coração pulsar amor; e aos meu amigos, pelas gargalhadas dadas.
Flávio Pinheiro
quarta-feira, 23 de julho de 2008
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Só
Havia acordado arredia. Nesse dia nem os sapatos calçou. Chorou, xingou e nada. Nada adiantava. Na sala, a TV ligada ignorava o dia, tentava a salvar do breu que se esparramava folgado no sofá. Escolhera ficar só ali com seus botões, dividindo a cama com a solidão. A janela fechada sugeria, com o pouco de luz que lhe fugia, outras saídas. Mas como estava, assim ficou a menina. Sombra tomada de desesperança, flor sem senso de humor, refugiada no que lhe restava de bons pensamentos, pessoas, danças. Podia, mas não queria. No abandono de si mesma, em seu silêncio telepático, as recordações frondosas de um amor que há tempos, a tempo partira.
Leandro Matias
Assinar:
Postagens (Atom)