DISCURSO ORADOR FORMATURA – DIREITO 2008.2 – UFRN
Magníssimo Senhor Reitor da UFRN, Dr. Josê Ivonildo Rêgo, em nome de quem saúdo todas as demais autoridades que compõem essa ilustre mesa; ilustres mestres e mestras que aqui estão presentes; caros pais, mães, amigos e amigas, e, principalmente, caros colegas formandos: parabéns, a todos nós!
Hoje é dia da nossa conquista. Dia de celebração; dia de comemorar em família, entre amigos, amores, colegas. Dia que foi traçado, na cabeça de cada um de nós, em algum determinado momento do tempo e do espaço. Para uns, tenho certeza que a opção pela carreira jurídica deve ter nascido no berço, por influência dos pais, familiares, ou por pura vocação. Já outros, tiverem o seu momento de descobrimento, quem sabe às vésperas de encarar o tão temido vestibular da Universidade Federal, ou então após realizar um outro curso superior. O momento não importa. A partir de hoje, somos todos os mesmos: todos bacharéis em Direito recém-formados, satisfeitos e orgulhosos pela conquista alcançada, porém ávidos e ansiosos pela nova jornada que se inicia.
Para trás ficam sentimentos juvenis, convivência diária, debates, discussões, amizades, provas para estudar de véspera, horas para jogar conversa fora. São os momentos nos corredores; são as brincadeiras na cantina; são os churrascos e as confraternizações de fim de ano; é o espírito acadêmico; são os professores queridos, e as lembranças dos não tão queridos (e temidos, porém admirados!); são as memórias de um tão bom tempo que foi vivido, mas que se acaba agora!
Na Universidade, adquirimos nossa base, nossa direção, o nosso rumo, solidificamos a nossa formação como estudantes, pessoas e cidadãos. Desde as incipientes aulas de Introdução ao Estudo do Direito, até os mais complexos temas e teorias do processo civil ou direito tributário, fomos nos descobrindo e nos identificando uns com os outros, e com as matérias que estudamos.
Hoje paira entre nós o sentimento de gratidão familiar para com a Universidade Federal, instituição que, mesmo com todas as suas falhas e problemas, continua sendo a grande força produtora de juristas e operadores do Direito do Estado do Rio Grande do Norte.
A convivência diária com o Direito, com nossos grandes juristas e professores, a leitura dos grandes autores e os ensinamentos de ética, de moral, dedicação, disciplina e cidadania, nos imbuíram e nos fortificaram no sentimento de se estar escolhendo o caminho certo. Hoje já faz parte de nós.
O Direito é magnificamente grande; magnificamente apaixonante; está em toda parte; é obra da vida em sociedade.
Nada causa maior admiração do que se constatar que não se passa sequer um dia, sem que se traga uma notícia, em qualquer jornal ou veículo de comunicação, de um assunto que esteja diretamente relacionado com a nossa profissão. Esse é o prazer de vivenciar essa ciência social.
E entre as formas de vivenciar essa ciência social, a Turma de 2008.2 já escolheu seu lema: Ética, Direito e Justiça. São esses os valores que escolhemos exaltar e pelos quais nos guiaremos durante todo o exercício de nossas carreiras; valores tão caros, hoje em dia, diante das notícias de escândalos e de corrupções que nos tomam os olhos e os ouvidos todos os dias; valores tão esquecidos ou relegados; valores pouco estudados, mas que não nos passaram em branco e que juraremos, hoje, cumprir e observar para sempre.
Nossa responsabilidade, se já era grande, agora aumenta. Nossos fardos serão maiores; a alegria pelo exercício das carreiras que nós escolhemos, contudo, tornará o peso em nossas costas mais ameno, porém, não nos poderá fazer com que nos esqueçamos de nossos novos deveres.
Primeiramente, temos o dever de retribuir o investimento que a sociedade brasileira fez em nós, e esse dever retribuiremos se provermos a sociedade com o conhecimento que nos foi dado de forma inteligente e renovadora, através de trabalhos, petições e decisões inteligentes e de operadores pensantes; retribuiremos sendo intérpretes e aplicadores do direito vivo e nascente, e não meros reprodutores. Retribuiremos fixando em nossas mentes, de hoje em diante, a imagem dos juristas que devemos ser: os juristas da constante renovação, da aplicação e observância dos princípios, da constitucionalização do direito, do repúdio aos absurdos dos literalismos. É a esse tipo de jurista a que se referia o professor Miguel Reale, ao, já nos primeiros anos de academia, ressaltar que o necessário é “teorizar a vida e viver a teoria, na unidade indissolúvel do pensamento e da ação”.
Retribuiremos, enfim, elaborando trabalhos acadêmicos e teorias, preparando novas almas e espíritos, inspirando novas pessoas e ajudando a formar novos cidadãos de caráter, inteligência e coração.
Este é, pois, o nosso primeiro dever.
Nosso segundo dever é se comprometer em fazer Justiça.
Justiça para todos, justiça democrática; Justiça ponderada, justiça equilibrada, justiça que se divide entre o peso da balança e a força protetora da espada; justiça “cega”, como Thémis, desvinculada de interesses externos, da politicagem ou do poder econômico; justiça que se resume no senso e sentimento de justo e que, conforme dizia Ulpiano, consiste em viver honestamente, dar a cada um o que é seu, e não lesionar ninguém, ou também, de acordo com o grande filósofo Platão, Justiça como a reunião da prudência, da fortaleza e da temperança.
Devemos, ainda, ser justos no sentido poetizado por Ésquilo, a quem aqui parodio no sentido de que o homem bom (no caso, o homem justo), deve ser mais ansioso em ser bom, (e em ser justo), do que em parecê-lo.
Eis, pois, o nosso segundo desafio. O desafio de se fazer Justiça.
Em terceiro lugar, temos a obrigação de nunca perder o nosso amor pela nossa profissão, amor esse que deve ser visto em sua plenitude, ou seja, como força pulsante e estado de espírito. É o Amor que nos faça lutar, que nos faça seguir; que não nos permita baixar a cabeça nas derrotas e decepções que tivermos, e que nos encha o coração ao alcançar um objetivo e celebrarmos nossas vitórias. Ao mesmo tempo, o amor como forma de se encarar a vida e a profissão, como a menina dos olhos e com o sorriso leve, típicos de um eterno apaixonado. O amor nessas suas duas facetas.
O amor, pois, pela pela profissão, pelo direito, pela justiça, porque sem ele, os grandes juristas, líderes e filósofos, seriam apenas medíocres representantes e pensadores. Mais vale um bom jurista presente, disponível, apaixonante e cativante, do que um grande sábio frio, distante e ausente.
O amor, então, que não é complacente com os arrogantes, com os pedantes, com os indiferentes; o amor livre das “juizites”, seja aguda - no início de carreira, ou crônica, já imanente; o amor como paixão; o amor como chama ardente; o amor que nos impulsiona a seguir, sempre em frente, e nos permite levar às últimas conseqüências o exercício de nossas atribuições, mesmo quando possa por em risco a nossa própria existência como seres viventes.
É desse amor que falamos, o amor pela luta, o amor pelo Direito, tão bem posto e idealizado por Von Ihering, ao nos ensinar que “O direito não é uma pura teoria, mas uma força viva. Todos os direitos da humanidade foram conseguidos na luta”. É esse sentimento, pois, tão característico de espíritos jovens, como os nossos, que nos dá essa força e essa gana de trabalhar e nos esforçar por ideais e princípios que ainda estão tão vivos em nossos íntimos, e que dizem, se perde com o passar dos anos.
Só roguemos a Deus que não ocorra com nós; que se nos falte experiência, que compensemos com nosso excesso de vontade; que caso erremos, que nos seja permitido corrigir os nossos erros, e nos seja desculpado e reconhecido o nosso esforço. Roguemos, a Deus, ainda, para que ele nos permita superar todos os obstáculos, por mais difíceis e intransponíveis que pareçam.
Sobre essa prece, há um pequeno questionamento da física que poderá melhor ilustrar o nosso pedido, e que se resume no seguinte dilema: o que ocorre quando uma força irresistível se encontra com um objeto inamovível? Nada, pois as duas coisas não podem coexistir ao mesmo tempo.
Então, que Deus nos permita ser essa força irresistível, e que todos os obstáculos colocados em nossa frente sejam sempre removíveis. Nisso nos cremos, assim desejamos e faremos.
E que Deus nos permita também ter sempre o amor como estado de espírito, porque encarando a vida e a profissão com o ar de um eterno apaixonado, é provável que nunca percamos nossa força, nossa vontade, a paixão. Nessa segunda vertente da palavra amor, há uma estória também bastante elucidativa do Ministro Sepúlveda Pertence.
Conta-se que o Ministro Pertence, um dos mais renomados e respeitados Ministros do STF, pouco antes de se aposentar e, portanto, supostamente já cansado de uma vida inteira de trabalho, participou de uma de suas últimas sessões no Supremo, em que se deliberava acerca de um pedido da extradição de um norte-americano chamado Walker. A relatora era a Ministra Ellen Gracie, que chamou o processo a julgamento e relatou-o aos outros ministros. Após o relatório, veio a inusitada pergunta do Ministro Pertence, que questionou:
- Excelentíssima Senhora Ministra-Relatora, Vossa Excelência poderia, por favor, me dizer qual é o prenome do extraditando em questão? A pergunta causou estranheza na Ministra Ellen Gracie que, contudo, procurando e revirando suas anotações, respondeu ensofismada ao Ministro Pertence:
- Olha, Ministro Pertence, o prenome do extraditando Walker é Richard, Excelência, Richard Walker, mas por que a relevância ou o interesse da pergunta?!
- O Ministro, de pronto, respondeu:
- É Porque se ele se chamasse Johnny, Vossa Excelência, eu teria de me julgar suspeito por amizade íntima!
Esse é, pois, o segundo sentido do amor à profissão que devemos sempre ter em mente.
E para nos relembrarmos sempre dessas acepções do amor à profissão, não é preciso ir tão longe. Aqui mesmo, no Estado, há exemplos de profissionais e de juristas igualmente brilhantes ao Ministro Pertence, e igualmente apaixonados pelo que fazem. É o caso do inigualável Seabra Fagundes, ou do recém-aposentado Ministro José Delgado, tão homenageado no ano em que se despediu da magistratura após mais de 40 anos em exercício; ou até mesmo aqui, nessa noite, temos o exemplo do paraninfo da Turma, o ilustre mestre e exemplo para todos nós, professor Xisto Tiago de Medeiros Neto; Os nossos ilustres professores homenageados, Professora Darci Pinheiro, Professora Elaine Cardoso, Professor Luiz Alberto Dantas Filho, Professor e patrono da turma Morton de Medeiros, Professor Paulo Renato, Professor Paulo Leão, professor Virgílio Fernandes e professor Nilton Pires; e todos os demais ilustres professores que compõem o quadro de professores do Curso de Direito da UFRN.
Por último, para não mais me alongar nessas breves palavras, cumpre ressaltar apenas um nosso último dever, que é o de não nos esquecermos, nunca, quem nós somos e de onde viemos.
Esse então parece fácil, pois estará para sempre presente no laço invisível da confraternização, da amizade, do carinho, do respeito e das lembranças, que sempre nos unirá e que será facilmente perceptível através de um sorriso estampado, de um abraço apertado, da felicidade externada por um reencontro ocorrido, seja nos corredores dos fóruns, dos tribunais, nas universidades, nos órgãos públicos, nos escritórios.
Nós todos formamos um só. Somos, a partir de hoje, mas desde sempre, as novas vozes, os novos rostos, os novos representantes da comunidade jurídica da UFRN; não nos esqueçamos de nós mesmos e ajudemos e compreendamos nossos pares, pois não há nada pior do que a mágoa e o ressentimento entre irmãos.
O desafio é grande, a jornada apenas se inicia; temos, pela frente, inúmeras e inúmeras horas de estudo, de trabalho, de esforço e dedicação, suor e lágrimas, vitórias e derrotas, alegrias e frustrações.
A responsabilidade é enorme e o fardo é pesado; a batalha é incessante, e duradoura; muitos (e alguns também tão queridos) ficaram para trás; em alguns anos, teremos que estar atuando nos mais diversos órgãos, poderes e entidades que compõem o Estado Norte Rio-Grandense e o Estado Democrático de Direito Brasileiro; A nossa função será promover a guarda da Constituição, dos valores e princípios constitucionais e democráticos, e dos interesses de nossos futuros clientes, alunos, jurisdicionados.
Aos mestres, muito obrigado pelos exemplos e pelas lições, estas serão, para sempre, eternas e inabaláveis; aos pais, amigos, queridos e familiares, valeu pelo suporte e pela atenção dados; à Universidade, nossa querida casa, um breve adeus, e muitas saudades; à sociedade brasileira, contem conosco, nós retribuiremos, à altura, o investimento feito; e, por fim, a todos, fica aqui a mensagem final da turma de Direito 2008.2: QUE O NOSSO DESAFIO SEJA ÁRDUO, PORQUE NÓS ESTAMOS CHEGANDO E ESTAMOS PREPARADOS! Muito Obrigado.
Magníssimo Senhor Reitor da UFRN, Dr. Josê Ivonildo Rêgo, em nome de quem saúdo todas as demais autoridades que compõem essa ilustre mesa; ilustres mestres e mestras que aqui estão presentes; caros pais, mães, amigos e amigas, e, principalmente, caros colegas formandos: parabéns, a todos nós!
Hoje é dia da nossa conquista. Dia de celebração; dia de comemorar em família, entre amigos, amores, colegas. Dia que foi traçado, na cabeça de cada um de nós, em algum determinado momento do tempo e do espaço. Para uns, tenho certeza que a opção pela carreira jurídica deve ter nascido no berço, por influência dos pais, familiares, ou por pura vocação. Já outros, tiverem o seu momento de descobrimento, quem sabe às vésperas de encarar o tão temido vestibular da Universidade Federal, ou então após realizar um outro curso superior. O momento não importa. A partir de hoje, somos todos os mesmos: todos bacharéis em Direito recém-formados, satisfeitos e orgulhosos pela conquista alcançada, porém ávidos e ansiosos pela nova jornada que se inicia.
Para trás ficam sentimentos juvenis, convivência diária, debates, discussões, amizades, provas para estudar de véspera, horas para jogar conversa fora. São os momentos nos corredores; são as brincadeiras na cantina; são os churrascos e as confraternizações de fim de ano; é o espírito acadêmico; são os professores queridos, e as lembranças dos não tão queridos (e temidos, porém admirados!); são as memórias de um tão bom tempo que foi vivido, mas que se acaba agora!
Na Universidade, adquirimos nossa base, nossa direção, o nosso rumo, solidificamos a nossa formação como estudantes, pessoas e cidadãos. Desde as incipientes aulas de Introdução ao Estudo do Direito, até os mais complexos temas e teorias do processo civil ou direito tributário, fomos nos descobrindo e nos identificando uns com os outros, e com as matérias que estudamos.
Hoje paira entre nós o sentimento de gratidão familiar para com a Universidade Federal, instituição que, mesmo com todas as suas falhas e problemas, continua sendo a grande força produtora de juristas e operadores do Direito do Estado do Rio Grande do Norte.
A convivência diária com o Direito, com nossos grandes juristas e professores, a leitura dos grandes autores e os ensinamentos de ética, de moral, dedicação, disciplina e cidadania, nos imbuíram e nos fortificaram no sentimento de se estar escolhendo o caminho certo. Hoje já faz parte de nós.
O Direito é magnificamente grande; magnificamente apaixonante; está em toda parte; é obra da vida em sociedade.
Nada causa maior admiração do que se constatar que não se passa sequer um dia, sem que se traga uma notícia, em qualquer jornal ou veículo de comunicação, de um assunto que esteja diretamente relacionado com a nossa profissão. Esse é o prazer de vivenciar essa ciência social.
E entre as formas de vivenciar essa ciência social, a Turma de 2008.2 já escolheu seu lema: Ética, Direito e Justiça. São esses os valores que escolhemos exaltar e pelos quais nos guiaremos durante todo o exercício de nossas carreiras; valores tão caros, hoje em dia, diante das notícias de escândalos e de corrupções que nos tomam os olhos e os ouvidos todos os dias; valores tão esquecidos ou relegados; valores pouco estudados, mas que não nos passaram em branco e que juraremos, hoje, cumprir e observar para sempre.
Nossa responsabilidade, se já era grande, agora aumenta. Nossos fardos serão maiores; a alegria pelo exercício das carreiras que nós escolhemos, contudo, tornará o peso em nossas costas mais ameno, porém, não nos poderá fazer com que nos esqueçamos de nossos novos deveres.
Primeiramente, temos o dever de retribuir o investimento que a sociedade brasileira fez em nós, e esse dever retribuiremos se provermos a sociedade com o conhecimento que nos foi dado de forma inteligente e renovadora, através de trabalhos, petições e decisões inteligentes e de operadores pensantes; retribuiremos sendo intérpretes e aplicadores do direito vivo e nascente, e não meros reprodutores. Retribuiremos fixando em nossas mentes, de hoje em diante, a imagem dos juristas que devemos ser: os juristas da constante renovação, da aplicação e observância dos princípios, da constitucionalização do direito, do repúdio aos absurdos dos literalismos. É a esse tipo de jurista a que se referia o professor Miguel Reale, ao, já nos primeiros anos de academia, ressaltar que o necessário é “teorizar a vida e viver a teoria, na unidade indissolúvel do pensamento e da ação”.
Retribuiremos, enfim, elaborando trabalhos acadêmicos e teorias, preparando novas almas e espíritos, inspirando novas pessoas e ajudando a formar novos cidadãos de caráter, inteligência e coração.
Este é, pois, o nosso primeiro dever.
Nosso segundo dever é se comprometer em fazer Justiça.
Justiça para todos, justiça democrática; Justiça ponderada, justiça equilibrada, justiça que se divide entre o peso da balança e a força protetora da espada; justiça “cega”, como Thémis, desvinculada de interesses externos, da politicagem ou do poder econômico; justiça que se resume no senso e sentimento de justo e que, conforme dizia Ulpiano, consiste em viver honestamente, dar a cada um o que é seu, e não lesionar ninguém, ou também, de acordo com o grande filósofo Platão, Justiça como a reunião da prudência, da fortaleza e da temperança.
Devemos, ainda, ser justos no sentido poetizado por Ésquilo, a quem aqui parodio no sentido de que o homem bom (no caso, o homem justo), deve ser mais ansioso em ser bom, (e em ser justo), do que em parecê-lo.
Eis, pois, o nosso segundo desafio. O desafio de se fazer Justiça.
Em terceiro lugar, temos a obrigação de nunca perder o nosso amor pela nossa profissão, amor esse que deve ser visto em sua plenitude, ou seja, como força pulsante e estado de espírito. É o Amor que nos faça lutar, que nos faça seguir; que não nos permita baixar a cabeça nas derrotas e decepções que tivermos, e que nos encha o coração ao alcançar um objetivo e celebrarmos nossas vitórias. Ao mesmo tempo, o amor como forma de se encarar a vida e a profissão, como a menina dos olhos e com o sorriso leve, típicos de um eterno apaixonado. O amor nessas suas duas facetas.
O amor, pois, pela pela profissão, pelo direito, pela justiça, porque sem ele, os grandes juristas, líderes e filósofos, seriam apenas medíocres representantes e pensadores. Mais vale um bom jurista presente, disponível, apaixonante e cativante, do que um grande sábio frio, distante e ausente.
O amor, então, que não é complacente com os arrogantes, com os pedantes, com os indiferentes; o amor livre das “juizites”, seja aguda - no início de carreira, ou crônica, já imanente; o amor como paixão; o amor como chama ardente; o amor que nos impulsiona a seguir, sempre em frente, e nos permite levar às últimas conseqüências o exercício de nossas atribuições, mesmo quando possa por em risco a nossa própria existência como seres viventes.
É desse amor que falamos, o amor pela luta, o amor pelo Direito, tão bem posto e idealizado por Von Ihering, ao nos ensinar que “O direito não é uma pura teoria, mas uma força viva. Todos os direitos da humanidade foram conseguidos na luta”. É esse sentimento, pois, tão característico de espíritos jovens, como os nossos, que nos dá essa força e essa gana de trabalhar e nos esforçar por ideais e princípios que ainda estão tão vivos em nossos íntimos, e que dizem, se perde com o passar dos anos.
Só roguemos a Deus que não ocorra com nós; que se nos falte experiência, que compensemos com nosso excesso de vontade; que caso erremos, que nos seja permitido corrigir os nossos erros, e nos seja desculpado e reconhecido o nosso esforço. Roguemos, a Deus, ainda, para que ele nos permita superar todos os obstáculos, por mais difíceis e intransponíveis que pareçam.
Sobre essa prece, há um pequeno questionamento da física que poderá melhor ilustrar o nosso pedido, e que se resume no seguinte dilema: o que ocorre quando uma força irresistível se encontra com um objeto inamovível? Nada, pois as duas coisas não podem coexistir ao mesmo tempo.
Então, que Deus nos permita ser essa força irresistível, e que todos os obstáculos colocados em nossa frente sejam sempre removíveis. Nisso nos cremos, assim desejamos e faremos.
E que Deus nos permita também ter sempre o amor como estado de espírito, porque encarando a vida e a profissão com o ar de um eterno apaixonado, é provável que nunca percamos nossa força, nossa vontade, a paixão. Nessa segunda vertente da palavra amor, há uma estória também bastante elucidativa do Ministro Sepúlveda Pertence.
Conta-se que o Ministro Pertence, um dos mais renomados e respeitados Ministros do STF, pouco antes de se aposentar e, portanto, supostamente já cansado de uma vida inteira de trabalho, participou de uma de suas últimas sessões no Supremo, em que se deliberava acerca de um pedido da extradição de um norte-americano chamado Walker. A relatora era a Ministra Ellen Gracie, que chamou o processo a julgamento e relatou-o aos outros ministros. Após o relatório, veio a inusitada pergunta do Ministro Pertence, que questionou:
- Excelentíssima Senhora Ministra-Relatora, Vossa Excelência poderia, por favor, me dizer qual é o prenome do extraditando em questão? A pergunta causou estranheza na Ministra Ellen Gracie que, contudo, procurando e revirando suas anotações, respondeu ensofismada ao Ministro Pertence:
- Olha, Ministro Pertence, o prenome do extraditando Walker é Richard, Excelência, Richard Walker, mas por que a relevância ou o interesse da pergunta?!
- O Ministro, de pronto, respondeu:
- É Porque se ele se chamasse Johnny, Vossa Excelência, eu teria de me julgar suspeito por amizade íntima!
Esse é, pois, o segundo sentido do amor à profissão que devemos sempre ter em mente.
E para nos relembrarmos sempre dessas acepções do amor à profissão, não é preciso ir tão longe. Aqui mesmo, no Estado, há exemplos de profissionais e de juristas igualmente brilhantes ao Ministro Pertence, e igualmente apaixonados pelo que fazem. É o caso do inigualável Seabra Fagundes, ou do recém-aposentado Ministro José Delgado, tão homenageado no ano em que se despediu da magistratura após mais de 40 anos em exercício; ou até mesmo aqui, nessa noite, temos o exemplo do paraninfo da Turma, o ilustre mestre e exemplo para todos nós, professor Xisto Tiago de Medeiros Neto; Os nossos ilustres professores homenageados, Professora Darci Pinheiro, Professora Elaine Cardoso, Professor Luiz Alberto Dantas Filho, Professor e patrono da turma Morton de Medeiros, Professor Paulo Renato, Professor Paulo Leão, professor Virgílio Fernandes e professor Nilton Pires; e todos os demais ilustres professores que compõem o quadro de professores do Curso de Direito da UFRN.
Por último, para não mais me alongar nessas breves palavras, cumpre ressaltar apenas um nosso último dever, que é o de não nos esquecermos, nunca, quem nós somos e de onde viemos.
Esse então parece fácil, pois estará para sempre presente no laço invisível da confraternização, da amizade, do carinho, do respeito e das lembranças, que sempre nos unirá e que será facilmente perceptível através de um sorriso estampado, de um abraço apertado, da felicidade externada por um reencontro ocorrido, seja nos corredores dos fóruns, dos tribunais, nas universidades, nos órgãos públicos, nos escritórios.
Nós todos formamos um só. Somos, a partir de hoje, mas desde sempre, as novas vozes, os novos rostos, os novos representantes da comunidade jurídica da UFRN; não nos esqueçamos de nós mesmos e ajudemos e compreendamos nossos pares, pois não há nada pior do que a mágoa e o ressentimento entre irmãos.
O desafio é grande, a jornada apenas se inicia; temos, pela frente, inúmeras e inúmeras horas de estudo, de trabalho, de esforço e dedicação, suor e lágrimas, vitórias e derrotas, alegrias e frustrações.
A responsabilidade é enorme e o fardo é pesado; a batalha é incessante, e duradoura; muitos (e alguns também tão queridos) ficaram para trás; em alguns anos, teremos que estar atuando nos mais diversos órgãos, poderes e entidades que compõem o Estado Norte Rio-Grandense e o Estado Democrático de Direito Brasileiro; A nossa função será promover a guarda da Constituição, dos valores e princípios constitucionais e democráticos, e dos interesses de nossos futuros clientes, alunos, jurisdicionados.
Aos mestres, muito obrigado pelos exemplos e pelas lições, estas serão, para sempre, eternas e inabaláveis; aos pais, amigos, queridos e familiares, valeu pelo suporte e pela atenção dados; à Universidade, nossa querida casa, um breve adeus, e muitas saudades; à sociedade brasileira, contem conosco, nós retribuiremos, à altura, o investimento feito; e, por fim, a todos, fica aqui a mensagem final da turma de Direito 2008.2: QUE O NOSSO DESAFIO SEJA ÁRDUO, PORQUE NÓS ESTAMOS CHEGANDO E ESTAMOS PREPARADOS! Muito Obrigado.