Não é Adriano Gomes, tampouco Clodoaldo Silva. O desportista natalense pivô da grande polêmica do momento é o meio-campista de 24 anos do São Paulo, Richarlysson.
Tudo começou quando Richa – que dentro de campo não tem nada de raxa- comemorou um gol dançando funk com movimentos deveras duvidosos. Foi o que bastou para todo mundo alfinetar. Sua performance à la Lacraia fecundou as mais maldosas ponderações em todo meio futebolístico -machista por excelência-, culminando em insinuação do dirigente do Palmeiras, José Cyrillo Junior, no programa de Milton Neves, que o jogador seria homossexual.
Nossa Senhora, que reboliço, né?! Nada disso; o principal segmento da polêmica estava ainda por começar. Afinal, gente falando mal dos outros nunca foi novidade! Nesse bojo, embriagado de angústia, Richa prestou queixa-crime contra Cyrillo, ensejando, destarte, um processo judicial de cunho penal, o qual solucionaria o conflito através da sentença... solucionaria!!!
O juiz competente, o Excelentíssimo Senhor Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo proferiu sentença determinando arquivamento do feito, na qual afirmava: "Se fosse homossexual, seria melhor que abandonasse os gramados"; "Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual"; "Homossexualismo é uma situação incomum do mundo moderno que precisa ser rebatida"; "Não poderia sonhar vivenciar um homossexual jogando futebol".
Agora sim! Os moralistas de plantão têm assunto para a eternidade. No entanto, há de se convir: Junqueira Filho aloprou! Nas minhas primogênitas lições de Direito, aprendi que este existe em decorrência da sociedade, devendo regulá-la, com o escopo axial de manter a paz social e o bem comum. A sociedade, de fato, não é só mutável, mas sim, está em constante ebulição; dessa forma, o Direito deve acompanhá-la, para que não se torne inútil, petrificado, tão-só um amontoado de papeis rabiscados. Nesse diapasão é bizarro, absurdo, quiçá revoltante, tomar ciência d’uma notícia dessa conjuntura. Poder-se-ia até admitir tal raciocínio em um matuto morador do Interior-da-casa-de-Carvalho –“transeunte do Agreste”, ou mesmo que o Sr. Junqueira pensasse de tal forma em suas reflexões matinais. Mas, representando o Estado-Juiz, revestido de poderes estatais, com o condão de analisar valores e decidir vidas alheias, Seu Manoel Junqueira jamais poderia exprimir pensamentos tão preconceituosos, conceitos tão retrógrados, valores tão retardados.
Não sou simpatizante, sequer advogado dos gays, até não contive gargalhadas ao ver a controversa comemoração, contudo tive de repulsar o Meretíssimo. Como quase-fanático por futebol e potiguar altivo, orgulho-me de ser conterrâneo do Richa. De certo, futebol é um jogo viril, mas o pivô da baderna já mostrou em campo que joga firme como homem de verdade. É um jogador desejado no plantel de qualquer time brasileiro; faz boa ligação no meio-de-campo, marca bem e só entra rasgando...
Mas, ao que parece, Richarlysson, ainda pode ter um final feliz, digno de conto de fadas. A corregedoria do TJ de São Paulo abriu uma sindicância e o Sr. Juiz pediu licença do cargo. Antes de sair, o juiz anulou a própria sentença que tinha dado no caso de Richarlysson. O processo deve agora ser julgado no juizado especial de pequenas causas. Mas a história não termina aí. Os advogados do jogador fizeram uma queixa no Conselho Nacional de Justiça, que fiscaliza os magistrados no Brasil inteiro. Se ficar provado que o juiz teve uma conduta reprovável ou criminosa, ele poderá até perder o cargo.
Inolvidável é que em todo ramo do das inúmeras áreas de trabalho, existem bons e maus profissionais. Alguns com vícios técnicos, outros com significativa falta de determinação, ausência de honestidade, e muitos com falta de ética. No Judiciário não poderia ser diferente. Enquanto temos juízes, desembargadores e ministros que dão verdadeiras aulas de vida em breves sentenças, algumas poucas vezes – e cada vez menos – temos o infortúnio de ver em lacônicas sentenças, alimentos de ignorância e regressão. C’est la vie! Porém, alegra-me o espírito a ciência da vinda de um Poder Judiciário cada vez mais jovem, mais moderno, mais atual; trazido pelos jovens sábios recém-magistrados através da bênção, que é o concurso público!
Agora, assistindo de camarote a toda essa encrenca, está Richarlysson -o Richa, que com isso pouco se lixa-, jogando muito no São Paulo, na liderança do campeonato e seguindo, como de costume, religiosamente as ordens de seu técnico Murycir Ramalho, que sempre antes do jogo o diz baixinho no ouvido: ”A-CA-BAAAA COM ELES!!!”.
Tudo começou quando Richa – que dentro de campo não tem nada de raxa- comemorou um gol dançando funk com movimentos deveras duvidosos. Foi o que bastou para todo mundo alfinetar. Sua performance à la Lacraia fecundou as mais maldosas ponderações em todo meio futebolístico -machista por excelência-, culminando em insinuação do dirigente do Palmeiras, José Cyrillo Junior, no programa de Milton Neves, que o jogador seria homossexual.
Nossa Senhora, que reboliço, né?! Nada disso; o principal segmento da polêmica estava ainda por começar. Afinal, gente falando mal dos outros nunca foi novidade! Nesse bojo, embriagado de angústia, Richa prestou queixa-crime contra Cyrillo, ensejando, destarte, um processo judicial de cunho penal, o qual solucionaria o conflito através da sentença... solucionaria!!!
O juiz competente, o Excelentíssimo Senhor Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo proferiu sentença determinando arquivamento do feito, na qual afirmava: "Se fosse homossexual, seria melhor que abandonasse os gramados"; "Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual"; "Homossexualismo é uma situação incomum do mundo moderno que precisa ser rebatida"; "Não poderia sonhar vivenciar um homossexual jogando futebol".
Agora sim! Os moralistas de plantão têm assunto para a eternidade. No entanto, há de se convir: Junqueira Filho aloprou! Nas minhas primogênitas lições de Direito, aprendi que este existe em decorrência da sociedade, devendo regulá-la, com o escopo axial de manter a paz social e o bem comum. A sociedade, de fato, não é só mutável, mas sim, está em constante ebulição; dessa forma, o Direito deve acompanhá-la, para que não se torne inútil, petrificado, tão-só um amontoado de papeis rabiscados. Nesse diapasão é bizarro, absurdo, quiçá revoltante, tomar ciência d’uma notícia dessa conjuntura. Poder-se-ia até admitir tal raciocínio em um matuto morador do Interior-da-casa-de-Carvalho –“transeunte do Agreste”, ou mesmo que o Sr. Junqueira pensasse de tal forma em suas reflexões matinais. Mas, representando o Estado-Juiz, revestido de poderes estatais, com o condão de analisar valores e decidir vidas alheias, Seu Manoel Junqueira jamais poderia exprimir pensamentos tão preconceituosos, conceitos tão retrógrados, valores tão retardados.
Não sou simpatizante, sequer advogado dos gays, até não contive gargalhadas ao ver a controversa comemoração, contudo tive de repulsar o Meretíssimo. Como quase-fanático por futebol e potiguar altivo, orgulho-me de ser conterrâneo do Richa. De certo, futebol é um jogo viril, mas o pivô da baderna já mostrou em campo que joga firme como homem de verdade. É um jogador desejado no plantel de qualquer time brasileiro; faz boa ligação no meio-de-campo, marca bem e só entra rasgando...
Mas, ao que parece, Richarlysson, ainda pode ter um final feliz, digno de conto de fadas. A corregedoria do TJ de São Paulo abriu uma sindicância e o Sr. Juiz pediu licença do cargo. Antes de sair, o juiz anulou a própria sentença que tinha dado no caso de Richarlysson. O processo deve agora ser julgado no juizado especial de pequenas causas. Mas a história não termina aí. Os advogados do jogador fizeram uma queixa no Conselho Nacional de Justiça, que fiscaliza os magistrados no Brasil inteiro. Se ficar provado que o juiz teve uma conduta reprovável ou criminosa, ele poderá até perder o cargo.
Inolvidável é que em todo ramo do das inúmeras áreas de trabalho, existem bons e maus profissionais. Alguns com vícios técnicos, outros com significativa falta de determinação, ausência de honestidade, e muitos com falta de ética. No Judiciário não poderia ser diferente. Enquanto temos juízes, desembargadores e ministros que dão verdadeiras aulas de vida em breves sentenças, algumas poucas vezes – e cada vez menos – temos o infortúnio de ver em lacônicas sentenças, alimentos de ignorância e regressão. C’est la vie! Porém, alegra-me o espírito a ciência da vinda de um Poder Judiciário cada vez mais jovem, mais moderno, mais atual; trazido pelos jovens sábios recém-magistrados através da bênção, que é o concurso público!
Agora, assistindo de camarote a toda essa encrenca, está Richarlysson -o Richa, que com isso pouco se lixa-, jogando muito no São Paulo, na liderança do campeonato e seguindo, como de costume, religiosamente as ordens de seu técnico Murycir Ramalho, que sempre antes do jogo o diz baixinho no ouvido: ”A-CA-BAAAA COM ELES!!!”.
(Flávio Pinheiro)