Chovia muito. Caía um toró na, outrora puritana, cidade do Natal. Era sábado de tardezinha e as ruas estavam alagadas; um dia nada convidativo a farras ou bebedeiras. Os bares estavam secos, os shoppings desérticos. Apenas se ouvia o barulho angustiante dos pingos espessos e apressados. Era como se o dia tivesse nascido para provocar reflexões.
Záqui parecia não se importar. Apesar de sua juventude recém-chegada, aquele não seria, de qualquer forma, um dia promissor. Ele desfrutava, com regozijo único, o óscio de um dia ressacado de final de semana. Seu quarto estava num patamar quase inalcançável de conforto. O ventilador ligado no mínimo, dois travesseiros sobre a cama, a colcha de infância amassada contra seu corpo ligeiramente morno. Záqui terminava seu terceiro cigarro da tarde, enquanto fingia ouvir comentários de futebol da televisão ligada e lia os editoriais da Folha de São Paulo do dia. Ler o fazia se sentir bem, sobretudo porque o permitia expor suas críticas, através de uma embriaguês intelectual drogada; mantinha sua fama de inteligência. Tudo estava magnífico; nos moldes exatos da vida que lhe convinha.
Foi na cozinha dar alguns goles d’água para molhar a boca árida, sinal remanescente dos copos de whisky a mais que tomara na noite passada em um aniversário de família. Ao beber a água, lembrou-se do comentário de seu amigo Pedro, que há pouco o tinha telefonado: “Major, fomos a um forró ontem. Walter ficou tão bêbado, que se perdeu. Só o achamos no final da festa, arriado sobre a mesa com uma garrafa de Grapette e um caldo de ova de curimatã”. Záqui sorriu discretamente e voltou para o quarto. Uma certa inveja dos seus amigos o consumiu brevemente.
Quando já estava prestes a abrir o jornal novamente, seu celular tocou. Com leve ânimo foi atender, no afã de dar outras risadas sobre presepadas e irreverências vividas pela turma de amigos no forró da noite anterior. Ao enxergar a tela de seu telefone, como num piscar de olhos, seu semblante mudou inteiramente.
- Oi amor, disse ele.
- Amor, já são 7 horas da noite. Você não vem hoje pra cá não, é? Se lembre que hoje nós não vamos sair. Vamos só ver um filme para no domingo eu poder estudar.
- Eu sei amor. To indo. Já tomei banho - Respondeu ele com um aspecto de quem não via um chuveiro há uma semana.
- Então ta, já to esperando. Beijo. Te amo.
- Beijo.
Záqui se levantou da cama e, com uma preguiça de dar inveja a funcionário público, foi se lavar. Desta vez não ligou o som do banheiro. Abriu um pouco o chuveiro. Logo o ambiente estava inteiramente embaçado, como uma sauna. A água quente escorria por seu rosto e ele resmungava em pensamento: “Passar a noite vendo filme. Que programão”! Subitamente ele lembrou: “Mas nem sempre foi assim”. Nesse instante, correram em seu pensamento lembranças do início com Bel, sua namorada. Ela era linda. Ainda era. Tinha os cabelos castanhos com luzes loiras, daquelas feitas por cabelereiro de elite. Não eram escorridos, mas lisos de uma forma que sua combinação com o rosto remetia a pinturas iluministas. Era sempre bronzeada, tinha as marcas do biquíni sempre salientes; quando sua pele não estava vermelha do sol, estava em um tom de moreno, que levava a crer que toda manha acordava na praia. O corpo era exuberante e causava até embaraços, tamanhos eram os olhares comilões na praia. Não era muito inteligente, mas também nenhuma tapada. Parecia ter encontrado a mediania perfeita entre submissão e vontade própria. Ria e ri das mais bestas anedotas contadas por Záqui. Era tão carinhosa e cuidadosa com ele, que, não raro, Záqui a imaginava como mãe de seus filhos. Em algumas ocasiões ela esfregava pedaços de algodão molhados de álcool na sola de seus pés descalços e espojados sobre a cama, sob o argumento dele de que aquela marmota curava ressacas. Záqui saiu do banho. Estava certo de algo mudara. Todas as qualidades quase-platônicas que nela encontrara já não eram tão relevantes. Eram, inclusive, ordinárias!
Seu telefone tocou novamente. Dessa vez era Walter:
- Rapaz! Que cachaciado eu tomei ontem. Lembro de nada; foi bom demais, homem! Pense num forró invocado. Hoje tem de novo. Vamos?
- Bicho, Bel não pode ir, tem de estudar amanhã. Vou só pra lá.
- Beleza então. Quando sair de lá me ligue para, pelo menos, tomarmos uma gela.
- Fechou de cadeado.
- Abraço – despediu-se Walter.
- Valeu. - concluiu Záqui.
E assim se foi a noite. Záqui saiu de casa tinindo, cheirava mais do que filho de barbeiro. Desta vez não fora à casa de Bel de bermuda e chinelos, mas todo nos trinques. Nesse dia o cabra estava até mais carinhoso. Cheirava e beijava Bel, mas sexo que é bom, nada. Ela estava indisposta demais para uma farra dessa natureza. Záqui, então, não contou conversa; acabando o filme, ele se foi, ligeiro como quem rouba. Logo chegou no bar, para encontrar Walter e a meninada. Retocou o perfume no carro e entrou no bar, quase que em câmera lenta; parecia coisa de cinema – o galã da noite natalense.
Algumas doses do “barbudinho” foram goela adentro e toda a turma, dentro de pouco tempo, já estava dançando com a muléstia. Záqui era o mais serelepe, parecia que tinha uma pilha enfiada por detrás. Foi quando Walter alertou:
- Moçada, já é uma hora da matina. Tá na hora de capar o gato.
Todos concordaram.
- Záqui, vamos, homem! Saia da jaula hoje. Bel não descobrirá – resolveu insistir Walter pela última vez.
Dessa vez, com Záqui já bicado, poderia até surtir efeito.
Záqui pensou por breves instantes e concluiu, perguntando:
- É, né? Pois to dentro.
Pegaram o rumo. Záqui, Walter, Pedro e Toquinho. Foram todos no mesmo carro. Logo estavam no forró. Záqui entrou na casa de shows. Sentiu a música – forró de primeira -, deu uma olhada nas mocinhas. Admirou-se. Aquilo era o paraíso: moças em bandeja, música de rear tudo e ponche a fole. Foi como se estivesse passando por um déjà-vu.
As músicas passavam despercebidas. Quando a segunda banda começou a tocar, Záqui já estava encangado com uma jovem lindinha, Carla. Não chegava nem ao chulé de Bel, mas para os padrões da festa era uma deusa. Cheirosa, bem-feitinha, e quente feito sovaco de menino com febre. Dançava demais. Tudo estava muito bom, quando de repente Záqui se lembrou de Bel. Aquilo não estava certo. Na verdade, ele não poderia estar nem naquele lugar.
Largou a menina e disse-lhe que precisava ir ao banheiro. Mas ela retrucou:
- E eu? Vou ficar aqui sozinha?
- Eu volto já – respondeu o jovem fugitivo.
- Deixe de besteira. Vá depois.
- Não, é melhor ir agora.
- Venha aqui – Carla o puxou para perto, e numa quase-emboscada, tascou-lhe um beijo daqueles. Záqui nem relutou. É que nem enchente morro abaixo, fogo morro cima. Pr’uma mulher que quer dar, cristão nenhum no mundo consegue evitar. Depois de algumas dezenas de longos beijos, o súbito romance estava assumido. Záqui estava que nem pinto em beira de cerca. Era um contentamento só. A segunda banda acabou, logo a terceira também. Záqui voltou com os amigos, sem Carla. Muitas estórias eram contadas às gargalhadas no carro. Somente Walter dormia; estava desmaiado. Havia bebido todas.
No domingo, o relógio marcava duas horas da tarde, quando Záqui criou coragem para se levantar e almoçar. Pensou no que havia feito na noite anterior e sentiu um mal-estar horrível. Era como se tivesse cometido o mais repugnante dos crimes. Quando seu celular tocava, ele tremia dos pés às pontas, pensando que poderia ser Bel, já ciente de tudo. Os dias foram se passando, e com eles, a culpa e o medo também foram se exaurindo.
Logo Záqui tinha se esquecido de tudo e só pensava em sair mais e mais. Após poucas semanas assim, ele, em um surto de honestidade, concluiu: “Não posso continuar com isso. Tenho de acabar esse namoro”. Tudo era muito diferente entre ele e Bel. O sexo quase não existia, e quando ocorria era sempre igualzinho: o mesmo processo formal – um pouco de sexo oral, papai-e-mamãe e pronto. Os dois pareciam ter perdido o tesão, mas nunca uma palavra fora dita a respeito. Ir a casa de Bel havia se tornado uma tortura desumana; a meia-hora cotidiana de conversa no telefone parecia interminável. Até o costumeiro perfume da jovem começara a lhe causar náuseas. Não havia sobre o que refletir. Era, definitivamente, o momento do fim.
Dito e feito. Záqui foi à casa de Bel e, com muita objetividade, disse-lhe tudo. A coitada ficou devastada. As lágrimas escorriam por se rosto bochecha abaixo, quase que ininterruptamente; eram jatos de lágrimas. Qualquer ser humano se sensibilizaria. Záqui, também. Ao ver aquela cena ele chorou, de verdade, abraçou-a – afinal tinha um carinho enorme por ela – mas manteve-se irredutível. Bel ligou-o algumas vezes nos dias seguintes, mas ele mal a atendia.
Os finais de semana iam se passando e Záqui era só libertinagem. Tirou todo o atrasado. Não podia ter um forró lá na casa-de-carvalho, que lá estava o jovem. Nas boates e barzinhos a cena se repetia: Záqui era presença certa; sempre muito bonito, perfumado e arrumado, esbanjando saúde e apetite sexual. Comeu várias mocinhas. Nesses dias, xota já não é algo difícil de se conseguir na alta-sociedade natalense. Muito no entanto, não se apegava a ninguém. Sempre achava um defeito repugnante em com quem ficava. Ou a menina era burra, ou chata, ou mesmo fedorenta. Assim as semanas se passavam, e, aos poucos, Záqui começara a sentir falta de Bel.
Três meses se passaram e Záqui já pensava em Bel todos os dias. Queria ligar, mas não tinha coragem. Naquele bendito sábado haveria uma vaqueijada próxima a Natal. Záqui foi, mas não mais com todo aquele entusiasmo. Lá no fundo ele bem que já queria um filminho e um sexo formal. Foi ao bar comprar o litro. De repente viu aquela morena esbelta. Era linda, cabelos castanhos com luzes loiras, daquelas feitas por cabelereiro de elite. Não eram escorridos, mas lisos de uma forma que sua combinação com o rosto remetia a pinturas iluministas. Era bronzeada e seu corpo, exuberante. Era Bel.
Naquele exato momento o jovem farrista morreu; sentiu um frio no espinhaço e um disparo no coração; parecia um infarto. Pensou em ir conversar com ela, mas se restringiu a cumprimenta-la. A festa toda se passou e eles não dançaram juntos. Záqui não via mais a mínima graça naquilo tudo. Estava decido: “Amanhã vou ligar para ela”. Voltou para casa com os amigos de farra. Walter dormia e o restante conversava as mesmas irreverências de sempre; engraçadas, mas repetidas.
No outro dia, Záqui ligou para Bel e contou-lhe de seus íntimos sentimentos e de seu devaneio em estar com ela novamente. Bel negou. Não fora ríspida, mas assustadoramente certa do que fazia. Záqui insistiu:
- Bel, dê-me mais uma chance. Eu te amo e você também ainda me ama.
- Eu te amei, Záqui. Mas já não mais. Aprendi a viver sem você e estou melhor assim – afirmou com veemência. E concluiu:
- Não se engane, nem crie falsas expectativas. Digo-lhe isso porque tenho um grande carinho por você. É melhor você seguir em frente. Tenho de desligar. Beijo.
- Bei... – terminaria Záqui.
Os dias seguintes foram de pura dor e sofrimento. Záqui chorou, fumou, bebeu e chorou. Todas as noites escutava “The blowest daughter” de Damien Rice, enquanto via suas dezenas de fotos com Bel. Chorava, escrevia poemas de amor, dor e chorava mais. Ele realmente sofria muito; comia o pão que a besta-fera amassou. Não agüentava mais tanto sofrimento. Agora tudo estava muito claro: Bel era a mulher de sua vida, a mulher que ele queria para ser mãe de seus filhos, para passar o resto de seus dias na saúde e na doença. Todas as outras eram apenas xotas ambulantes, e agora, xotas ambulantes sem-graça. Ele queria Bel e não poderia desistir. Era sexta à noite, mas ele não sairia. Estava cansado de tudo aquilo e muito explicitamente triste para sair em público. Há uma semana seu olhos não desinchavam de tanto chorar. “Tentarei mais uma vez”, pensou. Mandou uma mensagem de celular, a qual continha: “Bel, preciso falar com você. Por favor, me ligue”.
Bel recebeu. Estava em casa se arrumando para sair. Estava mais linda do que nunca; a expressão do seu rosto e a empolgação com que cantarolava as músicas tocadas no som faziam crer que ela acabara de avistar um passarinho verde. Leu a mensagem de Záqui, mas optou por não responder. Caso contrário ele jamais desistiria. Tornou a se maquiar e a cantar, ensaiando discretos passos de dança. Logo seu celular vibrou de novo. Nova mensagem. Aquele Záqui parecia incansável. “Oh moleque insistente” pensou a bela da noite. “Oi Bel. E aí? Vai à boate hoje? Estarei lá. Gostaria que você fosse também. Um beijo”. Dessa vez não era Záqui. Este estava novamente de fronte ao computador, vendo fotos e se lamentando pelas farras culpadas de todo o ocorrido. Chorava copiosamente. Soluçava e devora cigarros.
Dessa vez a mensagem era de Clóvis, um bonitão do pedaço. Bel, ao ler o texto, de pronto respondeu: “Vou sim. Nos encontraremos lá então. Beijos”. Deu pulos de alegria. Deixou o som bem baixinho. Fechou a porta do quarto. Masturbou-se, retocou a maquiagem e saiu de casa, exuberante.
(Flávio Pinheiro)
sábado, 22 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Só isso
Furtivo
Intempestivo e estranho
Cândido
Simples e cabal
Livre
Haverá sentido?
Sigo
Crédulo da descrença
Omito
Insensato como a vida
Surto
Condenado por mim mesmo
Grito
Alto como o que sinto
Deve haver sentido!
E tudo mais é nada
E nada mais importa
É findo
Clamo, ensaio e digo
Meu pensamento é teu
E nada além disso.
(Leandro Matias)
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Quero
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Cartas de Amor
Cartas escritas representam
Amor, carinho e paixão infindáveis
Eternos, num papel rasurado, quase inexistente
Mas que nunca se perde
Ou na materialidade da tinta borrada
Ou na imortalidade da alma de quem escreve,
E recebe,
Tão belas cartas de amor
Concreta representação de amor
Por entre palavras
Mesmo que jamais representem
Todo o Desejo, e a paixão
Ainda assim
São os melhores presentes...
Habitam para o sempre a cabeça e o coração
Da musa objeto de inspiração
Ainda que em seu insubconsciente
E é por isso diz o ditado
Que num presente
O que as mulheres sempre guardam,
é o cartão!
Quando receber presente
Torça para vir com uma carta
De preferência, uma bela poesia
Mas não cobre
Tem de ser espontânea
voluntária
De outro modo não seria
Carta de amor
É única
Como a musa
É arte
Como a música
Obra-prima do amor
Melhor prima da paixão
Para sempre reverenciada e cortejada
Numa bela e eterna
Carta de amor
Eduardo Dantas (07/11/07)
Cartas escritas representam
Amor, carinho e paixão infindáveis
Eternos, num papel rasurado, quase inexistente
Mas que nunca se perde
Ou na materialidade da tinta borrada
Ou na imortalidade da alma de quem escreve,
E recebe,
Tão belas cartas de amor
Concreta representação de amor
Por entre palavras
Mesmo que jamais representem
Todo o Desejo, e a paixão
Ainda assim
São os melhores presentes...
Habitam para o sempre a cabeça e o coração
Da musa objeto de inspiração
Ainda que em seu insubconsciente
E é por isso diz o ditado
Que num presente
O que as mulheres sempre guardam,
é o cartão!
Quando receber presente
Torça para vir com uma carta
De preferência, uma bela poesia
Mas não cobre
Tem de ser espontânea
voluntária
De outro modo não seria
Carta de amor
É única
Como a musa
É arte
Como a música
Obra-prima do amor
Melhor prima da paixão
Para sempre reverenciada e cortejada
Numa bela e eterna
Carta de amor
Eduardo Dantas (07/11/07)
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Sentido

Cheiro e sorriso marcam,
Mas não machucam. A vida do olhar,
nômade, inquieto, ávido,
é levada por novos ventos
Há desejo de amar.
Em meio a sonhos vazios
Todos perceberam:
Juntos, os corações se entendem.
Eles também.
O amor não hesita a pedidos.
Nem evita. A intensidade é medida
pelas lágrimas roladas
Foram muitas.
O amor vicia, é certo!
A saudade é vício. Sufoca, maltrata. É bom.
Jabuticabas vivas encantam.
Dançam presas e apaixonam.
Asas negras, tem esse amor. É a graúna.
Voa. E louvores de amor, entoa.
O diamante é mais lindo.
Esse amor, bem-vindo.
Faço planos para o futuro, alimento-me do presente.
Grito a todos, reflito meu amor.
Pense! Analise!
Não pode ser segredo de ninguém
Para minha falta de sentido
Achei todo o sentido.
Amo muito alguém.
Mas não machucam. A vida do olhar,
nômade, inquieto, ávido,
é levada por novos ventos
Há desejo de amar.
Em meio a sonhos vazios
Todos perceberam:
Juntos, os corações se entendem.
Eles também.
O amor não hesita a pedidos.
Nem evita. A intensidade é medida
pelas lágrimas roladas
Foram muitas.
O amor vicia, é certo!
A saudade é vício. Sufoca, maltrata. É bom.
Jabuticabas vivas encantam.
Dançam presas e apaixonam.
Asas negras, tem esse amor. É a graúna.
Voa. E louvores de amor, entoa.
O diamante é mais lindo.
Esse amor, bem-vindo.
Faço planos para o futuro, alimento-me do presente.
Grito a todos, reflito meu amor.
Pense! Analise!
Não pode ser segredo de ninguém
Para minha falta de sentido
Achei todo o sentido.
Amo muito alguém.
Flávio Pinheiro
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Águias foram feitas para voar longe!
Mais um tributo e uma homenagem aos meus amigos...
Águias foram feitas para voar longe!
Já faz algum tempo que um pensamento amedronta a minha mente cética e alienada: Estamos numa fase de mudanças e definições!!! Mudanças relativas ao estilo de vida que vínhamos levando até então... baseado principalmente em estudos ocasionais, responsabilidades semanais e farras constantes. Os estudos e as atividades acadêmicas são agora mais freqüentes, as responsabilidades são maiores, e com isso, as farras tendem a se tornar menos constantes. E as definições?!?! Ah, essas são besteiras, são apenas relativas ao futuro que iremos dar as nossas vidas!
Já faz algum tempo que um pensamento amedronta a minha mente cética e alienada: Estamos numa fase de mudanças e definições!!! Mudanças relativas ao estilo de vida que vínhamos levando até então... baseado principalmente em estudos ocasionais, responsabilidades semanais e farras constantes. Os estudos e as atividades acadêmicas são agora mais freqüentes, as responsabilidades são maiores, e com isso, as farras tendem a se tornar menos constantes. E as definições?!?! Ah, essas são besteiras, são apenas relativas ao futuro que iremos dar as nossas vidas!
Explico minhas vicissitudes... pouco a pouco estou vendo meus amigos, verdadeiros amigos, companheiros de vida, segredos e confissões, engatilhando cada um o seu caminho, tomando o seu rumo... e longe de mim!!! É um que vai estudar em São Paulo, outro fazer doutorado no estrangeiro, e assim, cada vez que eu me deparo com uma situação dessas de despedida, sinto um pouco de vazio dentro de mim... como se fosse uma parte minha que estivesse indo embora! Sabe o que é o pior disso tudo?!?!? O pior disso é que essas despedidas tendem a ocorrer mais vezes... até parece que eu vou ficar sozinho no mundo!!! Será?!?!?!
Vendo a questão por outro lado, é de se perceber um sentimento bom, contraposto à saudade, que decorre do fato de que eu sei que, conquanto estejamos fadados a um período TEMPORÁRIO de privações de nossas companhias, e eu insisto, que seja TEMPORÁRIO, esse período representará, para cada um de nós, uma era de avanços, aprimoramentos, estudos, e melhoramentos, razão pela qual eu sinto que é como se nós estivéssemos cumprindo com um dever nosso... em verdade, é bastante satisfatório e recompensador, motivo de orgulho e primor, você ver que um amigo seu está alcançando algo de melhor na vida, que está crescendo, se tornando uma pessoa e um profissional de projeção e renome, uma grande personalidade, um verdadeiro homem, de palavra, caráter e de valores! É pensando nisso que, no meu íntimo, resta uma trave de felicidade, que, contraposto à ausência, se resume na seguinte frase: “Amigo, vou sentir a sua falta... mas vá lá, destrua e retorne, para podermos então brindar o seu sucesso!!!”.
Se é assim que tem que ser, que seja! Tomemos cada um os nossos rumos, solitários - não desacompanhados, pois teremos sempre a presença espiritual das memórias e personalidades de nossos amigos - autônomos e independentes, nas estradas que escolhemos percorrer, afinal de contas, cada um de nós é um indivíduo complexo, de sonhos complexos, objetivos grandes e diversos, que tem que percorrer sua estrada individual, separado de todos, para somente depois de percorrido o caminho, poder reencontrar o querido amigo, que havia ficado pra trás. É provável que alguns, por causa de uma oportunidade incrível, ou de um amor forasteiro e infalível, não cumpram o caminho de volta, e a esses, com muito pesar no coração, eu digo, sempre existirão as visitas, as férias, e o verão. Aos que voltarem, que bom, estou feliz amigos, nos reencontrarmos aqui, nesse estado, bem de vida, felizes e bem casados, de cabelos grisalhos, já um pouco ralos, com a barba feita e satisfeitos, com o sentimento de dever cumprido, foi o que sempre imaginei para nós. Agora vamos deixar as mulheres e os filhos um tempo de lado, pra falar um pouco do passado, chorar, dá risada, malhar, lembrar dos ausentes, e profetizar ainda mais sobre futuro, de preferência, com todo mundo junto, tumando outra cachaça, e outra, e outra... quem sabe até mais uma graaaande, a última, na fazenda Djalma Medeiros!!!
E quanto ao medo das mudanças?!?! Já me parece tão pequeno e insignificante perto dos proveitos... faz parte da vida, é inquestionável! Ademais, a psicologia explica que a mente humana tem medo de toda e qualquer mudança, porque é acostumada na segurança da rotina! Isso não quer dizer, contudo, que todas as mudanças sejam ruins... essa que eu cito é pra melhor! Além disso, sempre aparecerão outras pessoas legais, amigos, companheiros, amores e paixões... nós nunca estaremos só! E por fim, pra refutar de vez essa barreira da mudança, lembro-me, reflito-me e me apego a uma metáfora da vida humana... que diz, na vida, existem pessoas que são águias, e outras que são galinhas... as águias possuem as asas grandes e a vista apurada, pois foram feitas para voar alto e avistar longe, além do horizonte. Em comparação com as pessoas, as águias são essas que nasceram e foram destinadas à grandeza, e o seu dever, a sua natureza, é cumprir com esse destino. Postas essas premissas, realizemos com alegria e sem hesitação o nosso dever, nosso destino... afinal de contas, e como eu mesmo quis dizer antes... nós todos somos águias... todos feitos para voar longe!!! Que assim seja.
Eduardo Dantas (17/10/07)
Minha Turma Esculhambada!!!
Entrando no clima da prosa e da amizade, ai vai uma conhecida, mas ainda não tão divulgada!
Minha Turma Esculhambada
Minha Turma é “deferente”,
Tem cada tipo de gente,
Tanta estória, tanta balela
Que ás vezes, Mais parecem
personagens de novela.
Minha Turma é “deferente”,
Mas mesmo assim, eu gosto dela,
Afinal de contas, pra onde eu quero ir,
Aonde tem forró e cachaça,
Lá está toda a galera.
Pra começar tem meu primo Tiago,
Ele se diz o engraçado,
Apesar de ninguém nunca rir.
Tem mania de dormir pelado,
E um péssimo humor para sair.
É o conhecido “ruim de festa”,
Que pior do que ele,
Dizem as más línguas,
Só levando injeção na testa.
Ao lado dele vem o Djalminha,
Vulgo dançarino,
Ou Sérgio Reis,
Esse aí, quando fica bebo,
Só sabe falar de bovino,
e de quanto arrecadou no fim do mês.
Já que falamos de bovino,
Tenho que citar um amigo pequenino,
Que apesar do tamanho,
É metido a valente,
Esse quando sobe em cima do cavalo,
Range os dentes,
Diz que só desce quando o boi ta quase rente,
E lhe aplica um golpe de judô
Pena que ninguém lhe avisou,
que apesar de tanta coragem, tanta careta,
o boi que ele ia derrubar era faixa preta,
da arte macial que o meu amigo lutou.
É ele mermo, Flavinho,
engraçado, viciado, esculhambado,
Dizem que a culpa é da Dona Sarah,
Mas coitada, a culpa não é dela,
Toda turma, por melhor que seja,
Ainda assim sempre terá suas mazelas.
O mais furão é o João Igor,
Você combina um negócio com ele,
“João Igor, to passando ai tal hora”
Ai quando você tá na porta da casa,
Do lado de fora,
Aparece aquele fantasma na janela,
Enrolado numa toalha,
Com o cabelo todo molhado,
Dizendo “peraí meu amigo”
E o cara todo fudido,
Doido pra ir tomar uma gela.
Ainda desce com um pente rosa na mão,
Reclamando que o cara fez muito barulho,
Que Seu Lunga e Dona Maria tão reclamando,
Ora, mas é foda, que bixo galado!!!
Só não só mais puto com o rapaz,
Porque coitado,
Peeennse num bixinho azarado.
Mas surpresa mermo
É o meu amigo Bernardo
Uma hora é o cara mais calmo
Só fala coisa séria,
Trabalho, cinema, profissão
Outras horas é o maior escroto,
Vai pras festas, Fica correndo pra todo lado
Com um copo de whisky na mão!
Ainda bem que arranjou a Bia, Porque senão,
Com a ruma de confusão, com segurança,
que arranja esse cidadão,
Era capaz dele estar,
Nesse exato momento,
A sete palmos do chão.
E o que falar do clã Matias,
Daniel aproveita a semana
Malhando e trabalhando
Também quando chega no domingo
Toma uma cachaça
Solta os CACHORROS
Que o cara fica de bobeira
Olhando e pensando
“Eita Biduzn réi doido!”
Já Leandro, quando chega de Brasília
só quer falar tCHia,
Surfar uns ondão,
Pegar umas gatas,
Andar de carrão
Tocar violão
igual à Jack Johnson
Apesar do só saber
as músicas do Legião
Aí vai pra cavalgada
Tomar “cachaça”
Comer “buxada”
E fazer “furdarça”
Eiiita que esse rapaiz não se decide,
Uma hora é vaqueiro,
Na outra hora é hippie,
Se continuar desse jeito,
Vou te dar um murro,
Te colocar dentro dum bugre,
E te mandar pra Brasília
Pra ir morar com o Seu Suéciaburg
Tem ainda meu outro primo,
Diego, O Pato,
Esse aí, só tem um migué,
É uma passada, Uma rodada,
Uma enrolada, e um sorriso,
Mas num é que essa bosta funciona?!
Das duas uma, ou essas “nega” tão tudo drogada, doidona,
Ou então perderam de vez o Juízo.
Pois é mais ou menos isso,
Esses são os meus amigos,
Que apesar da brincadeira,
São tudo gente de primeira.
Para mim são os melhores,
A melhor turma,
As melhores pessoas,
Os mais pegadores,
Os mais inteligentes,
Os mais bem sucedidos,
Eu gosto muito deles,
Como você mesmo viu,
Pelo que te dou um aviso:
Se tirar onda com meus amigos
Eu entro na voadora
E te mando pra puta que pariu!
“Amigo não é aquele que separa a briga,
Mas sim o que chega na voadora!!!”
Eduardo Dantas – 07/02/07
Minha Turma Esculhambada
Minha Turma é “deferente”,
Tem cada tipo de gente,
Tanta estória, tanta balela
Que ás vezes, Mais parecem
personagens de novela.
Minha Turma é “deferente”,
Mas mesmo assim, eu gosto dela,
Afinal de contas, pra onde eu quero ir,
Aonde tem forró e cachaça,
Lá está toda a galera.
Pra começar tem meu primo Tiago,
Ele se diz o engraçado,
Apesar de ninguém nunca rir.
Tem mania de dormir pelado,
E um péssimo humor para sair.
É o conhecido “ruim de festa”,
Que pior do que ele,
Dizem as más línguas,
Só levando injeção na testa.
Ao lado dele vem o Djalminha,
Vulgo dançarino,
Ou Sérgio Reis,
Esse aí, quando fica bebo,
Só sabe falar de bovino,
e de quanto arrecadou no fim do mês.
Já que falamos de bovino,
Tenho que citar um amigo pequenino,
Que apesar do tamanho,
É metido a valente,
Esse quando sobe em cima do cavalo,
Range os dentes,
Diz que só desce quando o boi ta quase rente,
E lhe aplica um golpe de judô
Pena que ninguém lhe avisou,
que apesar de tanta coragem, tanta careta,
o boi que ele ia derrubar era faixa preta,
da arte macial que o meu amigo lutou.
É ele mermo, Flavinho,
engraçado, viciado, esculhambado,
Dizem que a culpa é da Dona Sarah,
Mas coitada, a culpa não é dela,
Toda turma, por melhor que seja,
Ainda assim sempre terá suas mazelas.
O mais furão é o João Igor,
Você combina um negócio com ele,
“João Igor, to passando ai tal hora”
Ai quando você tá na porta da casa,
Do lado de fora,
Aparece aquele fantasma na janela,
Enrolado numa toalha,
Com o cabelo todo molhado,
Dizendo “peraí meu amigo”
E o cara todo fudido,
Doido pra ir tomar uma gela.
Ainda desce com um pente rosa na mão,
Reclamando que o cara fez muito barulho,
Que Seu Lunga e Dona Maria tão reclamando,
Ora, mas é foda, que bixo galado!!!
Só não só mais puto com o rapaz,
Porque coitado,
Peeennse num bixinho azarado.
Mas surpresa mermo
É o meu amigo Bernardo
Uma hora é o cara mais calmo
Só fala coisa séria,
Trabalho, cinema, profissão
Outras horas é o maior escroto,
Vai pras festas, Fica correndo pra todo lado
Com um copo de whisky na mão!
Ainda bem que arranjou a Bia, Porque senão,
Com a ruma de confusão, com segurança,
que arranja esse cidadão,
Era capaz dele estar,
Nesse exato momento,
A sete palmos do chão.
E o que falar do clã Matias,
Daniel aproveita a semana
Malhando e trabalhando
Também quando chega no domingo
Toma uma cachaça
Solta os CACHORROS
Que o cara fica de bobeira
Olhando e pensando
“Eita Biduzn réi doido!”
Já Leandro, quando chega de Brasília
só quer falar tCHia,
Surfar uns ondão,
Pegar umas gatas,
Andar de carrão
Tocar violão
igual à Jack Johnson
Apesar do só saber
as músicas do Legião
Aí vai pra cavalgada
Tomar “cachaça”
Comer “buxada”
E fazer “furdarça”
Eiiita que esse rapaiz não se decide,
Uma hora é vaqueiro,
Na outra hora é hippie,
Se continuar desse jeito,
Vou te dar um murro,
Te colocar dentro dum bugre,
E te mandar pra Brasília
Pra ir morar com o Seu Suéciaburg
Tem ainda meu outro primo,
Diego, O Pato,
Esse aí, só tem um migué,
É uma passada, Uma rodada,
Uma enrolada, e um sorriso,
Mas num é que essa bosta funciona?!
Das duas uma, ou essas “nega” tão tudo drogada, doidona,
Ou então perderam de vez o Juízo.
Pois é mais ou menos isso,
Esses são os meus amigos,
Que apesar da brincadeira,
São tudo gente de primeira.
Para mim são os melhores,
A melhor turma,
As melhores pessoas,
Os mais pegadores,
Os mais inteligentes,
Os mais bem sucedidos,
Eu gosto muito deles,
Como você mesmo viu,
Pelo que te dou um aviso:
Se tirar onda com meus amigos
Eu entro na voadora
E te mando pra puta que pariu!
“Amigo não é aquele que separa a briga,
Mas sim o que chega na voadora!!!”
Eduardo Dantas – 07/02/07
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Doçura
Agora reiousse
Pense numa mulher doce
Devia de ter até Japecanga no mei do nome
Não sei como fez
Mas pegô de jeito o home
É mulher demais numa só
Qualidade sobrando
Só vendo pra acreditar
Companheira de primeira
A nega é boa até pra farriar
E tanto me fez aquetar
Que já até espalhei
Meu futuro é se esposar
Bixinha e arrumada
Só as vezes que é braba
Também pudera
Na terra da minha amada
Até seu Virgulino levou bala
E pra não me demorar
Esse verso vou terminar
Porque maior mermo que o mar
Só meu amor por ela
E ai de quem duvidar.
(Leandro Matias)
Pense numa mulher doce
Devia de ter até Japecanga no mei do nome
Não sei como fez
Mas pegô de jeito o home
É mulher demais numa só
Qualidade sobrando
Só vendo pra acreditar
Companheira de primeira
A nega é boa até pra farriar
E tanto me fez aquetar
Que já até espalhei
Meu futuro é se esposar
Bixinha e arrumada
Só as vezes que é braba
Também pudera
Na terra da minha amada
Até seu Virgulino levou bala
E pra não me demorar
Esse verso vou terminar
Porque maior mermo que o mar
Só meu amor por ela
E ai de quem duvidar.
(Leandro Matias)
sábado, 22 de setembro de 2007
Incerto dilema
Essa poesia, atipicamente, merece uma breve introdução, em virtude de sua peculiar criação.
Estávamos quatro amigos na famosa praia de Pipa: eu, Leandro, Daniel e Diego. Era véspera de um grande concerto em Natal. Não saímos para a badalação nesta véspera. Muito no entanto, fizemos nossa badalação. Bebemos em demasia e coversamos sob um céu extraordinariamente estrelado. Cada um, com seus sonhos e frustrações, dúvidas e certezas, filosofou um pouco sobre a vida, em, por que não, sobre o amor e a paixão. Abruptamente, pedi a Leandro para que pegasse uma caneta - que o fez rápido como quem rouba -, e sobre um guardanapo engilhado escrevemos, nós quatro, uma poesia que diz a little something like this:
E o que mais importa senão o que se esconde?
Quatro almas se encontram
Cervejas à mesa
Histórias conformes
O que muda é somente a letra
A música é a mesma
Conversas boêmias
Desaparecem na profundidade das filosofias
Felizes com a tristeza
Vivemos incerto dilema
O que realmente vale a pena?
Ouvimos, mas os rostos não transparecem
Procuramos nas estrelas
A resposta está além
Deixemos como está
A conclusão não vem
Nossa amizade basta
Unidos pela mesma emoção
Sabemos que nos confortamos com o amor
Mas somos apaixonados pela paixão.
Flávio/Leandro/Diego/Daniel.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Ausência
Sabe aqueles dias em que você acorda reflexivo, falando menos do que o normal, meio chato mesmo?
Não?
Bom, eu tenho dessas.
Eram quase seis e meia de uma morosa manhã de segunda-feira, o claro céu aberto dava plena passagem para um sol ainda a despertar.
E assim, sendo levado pelo marasmo da rotina universitária, me apanhei em meio a pensamentos vagos, numa irônica e incansável busca por alguma explicação do vazio discreto e lúgubre que insistia em se acomodar no meu âmago. Indagava-me sobre a completude do ser humano e mais ainda sobre a sua - mais comum - ausência interior.
Que saco! - alguns podem pensar - mais um texto qualquer de alguém tentando mostrar como tudo anda indo de mal a pior no que diz respeito à conduta humana.
E a quem pensou assim peço perdão pelos devaneios, mas tive que colocar no papel para que até eu mesmo começasse a entender melhor.
Muitos ou pelo menos alguém já deve ter percebido em análise mais profunda do seu ser, que ao saciar ou alcançar um desejo, outro, pouco tempo depois é criado por nós mesmos e posto em seu lugar. Conclusão ou confusão: Será que viveremos sempre ansiosos por aquilo que não temos?
Lendo um dos fabulosos ensaios de Pablo Capistrano conheci Epicuro, filósofo grego do período helenístico cujo grande objetivo da vida era a busca pela tranqüilidade da alma e pela saúde do corpo. Mas para Epicuro, para se chegar a esse estado seria necessário enfrentar o desejo. E assim Capistrano despiu Epicuro:
Desejar é sofrer diante da ausência. Quando eu quero aquela Toyota, aquele apartamento com vista para Ponta Negra, ou aquela bolsa Prada, ou aquela modelo gostosa da propaganda de cerveja, eu quero o que eu não tenho e isso me leva a um estado de ansiedade e intranqüilidade que me tira do eixo.
Por isso é tão importante para o consumo em um grande Shopping que o desejo das pessoas seja ativado mediante um conjunto de mecanismos artificiais de produção de necessidades. Diante da ansiedade do desejo, seu comportamento se transforma e você; usa mais, fala mais, olha mais, bebe mais, corre mais, come mais, gasta mais e pensa menos. Sua vida se torna um ciclo sem fim de desejo, ansiedade e consumo, em busca da blusa perfeita, do computador mais moderno e do namorado ou namorada mais fashion. Diante desse estado de coisas você se prende a um mundo de necessidades forjadas e perde o sono à noite pensando que perdeu seu celular e que, por isso, sua vida não faz sentido.
Talvez o desejo seja mesmo filho da ausência, um tipo de prazer diante daquilo que não se tem. E seria ela, a ausência, a responsável por condicionar todo tipo de “necessidade” à nossa serenidade.
Não sou hipócrita. Tendo chegado a esse ponto do arriscado e controverso tema confesso me sentir vazio, cheio apenas de idéias êmulas. Mas a verdadeira vitória nos chega através da luta que travamos dentro de nós mesmos. Tenho a frente uma longa estrada de evoluções e revoluções pessoais para trilhar nesse campo. E a quem leu até aqui e não viu nenhum sentido nessa sã loucura, quem sabe em uma dessas morosas manhãs de segunda-feira você não acorda reflexivo, falando menos do que o normal, meio chato mesmo e começa a se perguntar o que será isso. Pode ser ressaca ou quem sabe, talvez, ausência.
(Leandro Matias)
Não?
Bom, eu tenho dessas.
Eram quase seis e meia de uma morosa manhã de segunda-feira, o claro céu aberto dava plena passagem para um sol ainda a despertar.
E assim, sendo levado pelo marasmo da rotina universitária, me apanhei em meio a pensamentos vagos, numa irônica e incansável busca por alguma explicação do vazio discreto e lúgubre que insistia em se acomodar no meu âmago. Indagava-me sobre a completude do ser humano e mais ainda sobre a sua - mais comum - ausência interior.
Que saco! - alguns podem pensar - mais um texto qualquer de alguém tentando mostrar como tudo anda indo de mal a pior no que diz respeito à conduta humana.
E a quem pensou assim peço perdão pelos devaneios, mas tive que colocar no papel para que até eu mesmo começasse a entender melhor.
Muitos ou pelo menos alguém já deve ter percebido em análise mais profunda do seu ser, que ao saciar ou alcançar um desejo, outro, pouco tempo depois é criado por nós mesmos e posto em seu lugar. Conclusão ou confusão: Será que viveremos sempre ansiosos por aquilo que não temos?
Lendo um dos fabulosos ensaios de Pablo Capistrano conheci Epicuro, filósofo grego do período helenístico cujo grande objetivo da vida era a busca pela tranqüilidade da alma e pela saúde do corpo. Mas para Epicuro, para se chegar a esse estado seria necessário enfrentar o desejo. E assim Capistrano despiu Epicuro:
Desejar é sofrer diante da ausência. Quando eu quero aquela Toyota, aquele apartamento com vista para Ponta Negra, ou aquela bolsa Prada, ou aquela modelo gostosa da propaganda de cerveja, eu quero o que eu não tenho e isso me leva a um estado de ansiedade e intranqüilidade que me tira do eixo.
Por isso é tão importante para o consumo em um grande Shopping que o desejo das pessoas seja ativado mediante um conjunto de mecanismos artificiais de produção de necessidades. Diante da ansiedade do desejo, seu comportamento se transforma e você; usa mais, fala mais, olha mais, bebe mais, corre mais, come mais, gasta mais e pensa menos. Sua vida se torna um ciclo sem fim de desejo, ansiedade e consumo, em busca da blusa perfeita, do computador mais moderno e do namorado ou namorada mais fashion. Diante desse estado de coisas você se prende a um mundo de necessidades forjadas e perde o sono à noite pensando que perdeu seu celular e que, por isso, sua vida não faz sentido.
Talvez o desejo seja mesmo filho da ausência, um tipo de prazer diante daquilo que não se tem. E seria ela, a ausência, a responsável por condicionar todo tipo de “necessidade” à nossa serenidade.
Não sou hipócrita. Tendo chegado a esse ponto do arriscado e controverso tema confesso me sentir vazio, cheio apenas de idéias êmulas. Mas a verdadeira vitória nos chega através da luta que travamos dentro de nós mesmos. Tenho a frente uma longa estrada de evoluções e revoluções pessoais para trilhar nesse campo. E a quem leu até aqui e não viu nenhum sentido nessa sã loucura, quem sabe em uma dessas morosas manhãs de segunda-feira você não acorda reflexivo, falando menos do que o normal, meio chato mesmo e começa a se perguntar o que será isso. Pode ser ressaca ou quem sabe, talvez, ausência.
(Leandro Matias)
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
De Natal para o TJ-SP
Não é Adriano Gomes, tampouco Clodoaldo Silva. O desportista natalense pivô da grande polêmica do momento é o meio-campista de 24 anos do São Paulo, Richarlysson.
Tudo começou quando Richa – que dentro de campo não tem nada de raxa- comemorou um gol dançando funk com movimentos deveras duvidosos. Foi o que bastou para todo mundo alfinetar. Sua performance à la Lacraia fecundou as mais maldosas ponderações em todo meio futebolístico -machista por excelência-, culminando em insinuação do dirigente do Palmeiras, José Cyrillo Junior, no programa de Milton Neves, que o jogador seria homossexual.
Nossa Senhora, que reboliço, né?! Nada disso; o principal segmento da polêmica estava ainda por começar. Afinal, gente falando mal dos outros nunca foi novidade! Nesse bojo, embriagado de angústia, Richa prestou queixa-crime contra Cyrillo, ensejando, destarte, um processo judicial de cunho penal, o qual solucionaria o conflito através da sentença... solucionaria!!!
O juiz competente, o Excelentíssimo Senhor Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo proferiu sentença determinando arquivamento do feito, na qual afirmava: "Se fosse homossexual, seria melhor que abandonasse os gramados"; "Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual"; "Homossexualismo é uma situação incomum do mundo moderno que precisa ser rebatida"; "Não poderia sonhar vivenciar um homossexual jogando futebol".
Agora sim! Os moralistas de plantão têm assunto para a eternidade. No entanto, há de se convir: Junqueira Filho aloprou! Nas minhas primogênitas lições de Direito, aprendi que este existe em decorrência da sociedade, devendo regulá-la, com o escopo axial de manter a paz social e o bem comum. A sociedade, de fato, não é só mutável, mas sim, está em constante ebulição; dessa forma, o Direito deve acompanhá-la, para que não se torne inútil, petrificado, tão-só um amontoado de papeis rabiscados. Nesse diapasão é bizarro, absurdo, quiçá revoltante, tomar ciência d’uma notícia dessa conjuntura. Poder-se-ia até admitir tal raciocínio em um matuto morador do Interior-da-casa-de-Carvalho –“transeunte do Agreste”, ou mesmo que o Sr. Junqueira pensasse de tal forma em suas reflexões matinais. Mas, representando o Estado-Juiz, revestido de poderes estatais, com o condão de analisar valores e decidir vidas alheias, Seu Manoel Junqueira jamais poderia exprimir pensamentos tão preconceituosos, conceitos tão retrógrados, valores tão retardados.
Não sou simpatizante, sequer advogado dos gays, até não contive gargalhadas ao ver a controversa comemoração, contudo tive de repulsar o Meretíssimo. Como quase-fanático por futebol e potiguar altivo, orgulho-me de ser conterrâneo do Richa. De certo, futebol é um jogo viril, mas o pivô da baderna já mostrou em campo que joga firme como homem de verdade. É um jogador desejado no plantel de qualquer time brasileiro; faz boa ligação no meio-de-campo, marca bem e só entra rasgando...
Mas, ao que parece, Richarlysson, ainda pode ter um final feliz, digno de conto de fadas. A corregedoria do TJ de São Paulo abriu uma sindicância e o Sr. Juiz pediu licença do cargo. Antes de sair, o juiz anulou a própria sentença que tinha dado no caso de Richarlysson. O processo deve agora ser julgado no juizado especial de pequenas causas. Mas a história não termina aí. Os advogados do jogador fizeram uma queixa no Conselho Nacional de Justiça, que fiscaliza os magistrados no Brasil inteiro. Se ficar provado que o juiz teve uma conduta reprovável ou criminosa, ele poderá até perder o cargo.
Inolvidável é que em todo ramo do das inúmeras áreas de trabalho, existem bons e maus profissionais. Alguns com vícios técnicos, outros com significativa falta de determinação, ausência de honestidade, e muitos com falta de ética. No Judiciário não poderia ser diferente. Enquanto temos juízes, desembargadores e ministros que dão verdadeiras aulas de vida em breves sentenças, algumas poucas vezes – e cada vez menos – temos o infortúnio de ver em lacônicas sentenças, alimentos de ignorância e regressão. C’est la vie! Porém, alegra-me o espírito a ciência da vinda de um Poder Judiciário cada vez mais jovem, mais moderno, mais atual; trazido pelos jovens sábios recém-magistrados através da bênção, que é o concurso público!
Agora, assistindo de camarote a toda essa encrenca, está Richarlysson -o Richa, que com isso pouco se lixa-, jogando muito no São Paulo, na liderança do campeonato e seguindo, como de costume, religiosamente as ordens de seu técnico Murycir Ramalho, que sempre antes do jogo o diz baixinho no ouvido: ”A-CA-BAAAA COM ELES!!!”.
Tudo começou quando Richa – que dentro de campo não tem nada de raxa- comemorou um gol dançando funk com movimentos deveras duvidosos. Foi o que bastou para todo mundo alfinetar. Sua performance à la Lacraia fecundou as mais maldosas ponderações em todo meio futebolístico -machista por excelência-, culminando em insinuação do dirigente do Palmeiras, José Cyrillo Junior, no programa de Milton Neves, que o jogador seria homossexual.
Nossa Senhora, que reboliço, né?! Nada disso; o principal segmento da polêmica estava ainda por começar. Afinal, gente falando mal dos outros nunca foi novidade! Nesse bojo, embriagado de angústia, Richa prestou queixa-crime contra Cyrillo, ensejando, destarte, um processo judicial de cunho penal, o qual solucionaria o conflito através da sentença... solucionaria!!!
O juiz competente, o Excelentíssimo Senhor Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo proferiu sentença determinando arquivamento do feito, na qual afirmava: "Se fosse homossexual, seria melhor que abandonasse os gramados"; "Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual"; "Homossexualismo é uma situação incomum do mundo moderno que precisa ser rebatida"; "Não poderia sonhar vivenciar um homossexual jogando futebol".
Agora sim! Os moralistas de plantão têm assunto para a eternidade. No entanto, há de se convir: Junqueira Filho aloprou! Nas minhas primogênitas lições de Direito, aprendi que este existe em decorrência da sociedade, devendo regulá-la, com o escopo axial de manter a paz social e o bem comum. A sociedade, de fato, não é só mutável, mas sim, está em constante ebulição; dessa forma, o Direito deve acompanhá-la, para que não se torne inútil, petrificado, tão-só um amontoado de papeis rabiscados. Nesse diapasão é bizarro, absurdo, quiçá revoltante, tomar ciência d’uma notícia dessa conjuntura. Poder-se-ia até admitir tal raciocínio em um matuto morador do Interior-da-casa-de-Carvalho –“transeunte do Agreste”, ou mesmo que o Sr. Junqueira pensasse de tal forma em suas reflexões matinais. Mas, representando o Estado-Juiz, revestido de poderes estatais, com o condão de analisar valores e decidir vidas alheias, Seu Manoel Junqueira jamais poderia exprimir pensamentos tão preconceituosos, conceitos tão retrógrados, valores tão retardados.
Não sou simpatizante, sequer advogado dos gays, até não contive gargalhadas ao ver a controversa comemoração, contudo tive de repulsar o Meretíssimo. Como quase-fanático por futebol e potiguar altivo, orgulho-me de ser conterrâneo do Richa. De certo, futebol é um jogo viril, mas o pivô da baderna já mostrou em campo que joga firme como homem de verdade. É um jogador desejado no plantel de qualquer time brasileiro; faz boa ligação no meio-de-campo, marca bem e só entra rasgando...
Mas, ao que parece, Richarlysson, ainda pode ter um final feliz, digno de conto de fadas. A corregedoria do TJ de São Paulo abriu uma sindicância e o Sr. Juiz pediu licença do cargo. Antes de sair, o juiz anulou a própria sentença que tinha dado no caso de Richarlysson. O processo deve agora ser julgado no juizado especial de pequenas causas. Mas a história não termina aí. Os advogados do jogador fizeram uma queixa no Conselho Nacional de Justiça, que fiscaliza os magistrados no Brasil inteiro. Se ficar provado que o juiz teve uma conduta reprovável ou criminosa, ele poderá até perder o cargo.
Inolvidável é que em todo ramo do das inúmeras áreas de trabalho, existem bons e maus profissionais. Alguns com vícios técnicos, outros com significativa falta de determinação, ausência de honestidade, e muitos com falta de ética. No Judiciário não poderia ser diferente. Enquanto temos juízes, desembargadores e ministros que dão verdadeiras aulas de vida em breves sentenças, algumas poucas vezes – e cada vez menos – temos o infortúnio de ver em lacônicas sentenças, alimentos de ignorância e regressão. C’est la vie! Porém, alegra-me o espírito a ciência da vinda de um Poder Judiciário cada vez mais jovem, mais moderno, mais atual; trazido pelos jovens sábios recém-magistrados através da bênção, que é o concurso público!
Agora, assistindo de camarote a toda essa encrenca, está Richarlysson -o Richa, que com isso pouco se lixa-, jogando muito no São Paulo, na liderança do campeonato e seguindo, como de costume, religiosamente as ordens de seu técnico Murycir Ramalho, que sempre antes do jogo o diz baixinho no ouvido: ”A-CA-BAAAA COM ELES!!!”.
(Flávio Pinheiro)
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Sonhos, Perfeição e Realidade
Guardei meus sonhos numa caixa
para poder preservá-los
Deixando-os assim intactos
Mas ao mesmo tempo inertes inatingíveis, inalcançáveis
Aprendi que na vida, sonhos apenas são válidos
Enquanto transformado em metas, e alcançados, ou então experimentados
Mesmo que a experiência da realidade
Não corresponda à perfeição do mundo das idéias
Não adianta sonhar com a namorada perfeita
Com os amigos perfeitos, com lugares perfeitos ou com o pôr-do-sol perfeito
Isso são coisas que devem ser deixadas à arte, ao cinema
À pintura, aos livros...
Muito mais vale ter namoradas imperfeitas
Amigos imperfeitos, lugares imperfeitos
Pelo simples fato de que estes possuem uma característica
Que os perfeitos jamais possuirão:
Eles são reais!
Sim, eu não sabia, mas Platão estava errado
Além disso, dá pra imaginar o tédio que seria viver
Num mundo perfeito?
Tudo seria matematicamente igual
Como dois e dois são quatro
Não existiria a diferença entre o belo e o feio
O bom e o ruim
O bem e o mau
Sob essa ótica
Louvado seja o feio, o ruim e o mau
Eles ajudam a tornar a nossa vidaUm pouco mais “perfeita”
Se me permite o trocadilho.
Tire os seus sonhos de sua caixa
E ponha-os em prática
Para que somente assim
Se tornem reais
Ao mesmo tempo
Não se imponha limites
Não foi isso que eu quis dizer
Pois se fosse assim o homem nunca teria conseguido voar
Ou ter chegado à lua
E por fim, nunca se esqueça
Se pensares sempre assim
Terás a resposta
Para quando alguém lhe criticar
E apontar os seus defeitos
Diga-lhes, com um sorriso no rosto
É, eu não sou perfeito
E se dissesse que era perfeito
Estaria sendo falso
Ao invés de ser falso
Prefiro ser isso que você vê
Imperfeito, porém verdadeiro
E real.
(Eduardo Dantas)
para poder preservá-los
Deixando-os assim intactos
Mas ao mesmo tempo inertes inatingíveis, inalcançáveis
Aprendi que na vida, sonhos apenas são válidos
Enquanto transformado em metas, e alcançados, ou então experimentados
Mesmo que a experiência da realidade
Não corresponda à perfeição do mundo das idéias
Não adianta sonhar com a namorada perfeita
Com os amigos perfeitos, com lugares perfeitos ou com o pôr-do-sol perfeito
Isso são coisas que devem ser deixadas à arte, ao cinema
À pintura, aos livros...
Muito mais vale ter namoradas imperfeitas
Amigos imperfeitos, lugares imperfeitos
Pelo simples fato de que estes possuem uma característica
Que os perfeitos jamais possuirão:
Eles são reais!
Sim, eu não sabia, mas Platão estava errado
Além disso, dá pra imaginar o tédio que seria viver
Num mundo perfeito?
Tudo seria matematicamente igual
Como dois e dois são quatro
Não existiria a diferença entre o belo e o feio
O bom e o ruim
O bem e o mau
Sob essa ótica
Louvado seja o feio, o ruim e o mau
Eles ajudam a tornar a nossa vidaUm pouco mais “perfeita”
Se me permite o trocadilho.
Tire os seus sonhos de sua caixa
E ponha-os em prática
Para que somente assim
Se tornem reais
Ao mesmo tempo
Não se imponha limites
Não foi isso que eu quis dizer
Pois se fosse assim o homem nunca teria conseguido voar
Ou ter chegado à lua
E por fim, nunca se esqueça
Se pensares sempre assim
Terás a resposta
Para quando alguém lhe criticar
E apontar os seus defeitos
Diga-lhes, com um sorriso no rosto
É, eu não sou perfeito
E se dissesse que era perfeito
Estaria sendo falso
Ao invés de ser falso
Prefiro ser isso que você vê
Imperfeito, porém verdadeiro
E real.
(Eduardo Dantas)
Personalidade e Originalidade...
É certo que, conquanto vivemos em sociedade, estamos submetidos a um conjunto de regras morais, socais, religiosas e jurídicas que regem o nosso comportamento. Mas você não acha que esse sistema anda um pouco demais exagerado por esses tempos? O dirigismo de nossas vidas parece ter nos transformado em robôs, estátuas, sombras, qualquer coisa que você quiser usar como exemplo, desde que não tenha alma e seja repetitivo. Parece que nós nos transformamos de águias livres para papagaios treinados... e a que custo? A modo de que, como diz o matuto? De uma normalidade (leia-se ser “normal”) mórbida, insípita, virtual? A resposta eu deixo para o final... o que eu sei é que, apesar da situação parecer nova, ela me lembra bastante uma velha lição que aprendi uma vez com um grande filósofo. Pois é, simplificando Kant, o que ele queria dizer é que a vontade só é verdadeira quando você faz o certo porque acha que é certo. Ao contrário, quando você faz o “certo” porque os outros acham que é certo, e você tem medo de ser repreendido caso não o faça, aí sim há um defeito, um vício, uma falha. Atualmente, parece que é assim. A gente não faz algo com medo do que o “povo vai achar”, ou então se reprimi porque “todo mundo viu!”... e nesse contexto, aonde nós ficamos? E o que eu acho? E o que eu sinto sobre mim mesmo? Uma coisa é verdade, quando a gente olha “pros outros”, acaba fechando os olhos para nós mesmos, e assim, cegos de nós mesmos, deixamos de nos conhecer, e nos transformamos em nossos próprios estranhos, vivendo a vida realizando aqueles mesmos gestos, praticando aquelas mesmas atitudes, nos alienando naquela mesma ideologia, apenas porque não sabemos mais o que fazer, ou então não sabemos fazer outra coisa. Não quero dizer que devemos fazer tudo e tão-somente o que nos der na telha, afinal de contas, como disse no início, há um conjunto de regras que temos que obedecer para vivermos em sociedade. O que eu quis dizer é o seguinte: hoje em dia nós vivemos num mundo calcado no consumismo, na aparência, no ter, ao invés do ser, e essas tendências, de tão expressivas, criaram um modelo de conduta aonde todos querem ser “cool”, e para isso, seguem a mesma linha de comportamento, onde não existe espaço para manifestações da própria vontade ou diferentes daquela que compõe o padrão dessa “síndrome da celebridade”. Apesar disso, e correndo contra esse fluxo, acredito que o diferencial de um indivíduo, e isso vocês podem comprovar pela experiência da vida concreta, está na desenvoltura de outras características, bem mais simples e mais escassas, hoje em dia, do que aquelas anteriormente citadas, porém bem mais importantes. São elas a personalidade e a originalidade... as verdadeiras, e não aquelas que nós apenas copiamos da internet para o nosso profile! Aonde elas estão?
(Eduardo Dantas)
(Eduardo Dantas)
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Tá na moda
Dizem por aí que restam poucos - homens e mulheres - que ainda resguardam sua intimidade (lê-se dignidade) o suficiente para que sejam considerados alvo de investidas mais sérias do sexo oposto. Na verdade, esse é o assunto da moda. Mas (minha) verdade seja dita.
Os nobres valores há muito caíram em desgraça. Ser? Que nada de ser, o negócio é ter. Lê-se pouco, conversa-se menos ainda, mas falar, ah, todo mundo fala muito.
Mulheres saltam de bar em bar, pois, nos dias de hoje, já fica-se muito só, melhor não ficar sóbria.
Homens cada vez mais imbecis se acotovelam covardemente para conquistar o que chamo de direito de achar – sim, de achar - que tem mais que o outro, pegou mais que o outro, objetivando só Deus sabe o quê. Talvez o status da vaga de síndico no futuro.
Mas o fato é esse. Como diria o transeunte do agreste: - A coisa ta braba!
A esperança do que o acaso poderia trazer ao virar da esquina parece esvair-se tão rápido quanto nossos distantes 15 anos. As pessoas andam descrentes - e ao desavisado aviso - não é de crença que estou falando.
As uniões preguiçosas são as mais comuns hoje. Não tem tu vai tu mesmo. Está então formada uma família feliz.
Talvez pela precocidade, o transpor de etapas, entedia-se mais cedo, arrepende-se mais tarde.
Mas não vim aqui tentar dar respostas, tampouco sou crédulo da minha razão, aliás, nem sei porque escrevi isso, acho que só porque ta na moda mesmo.
(Leandro Matias)
Os nobres valores há muito caíram em desgraça. Ser? Que nada de ser, o negócio é ter. Lê-se pouco, conversa-se menos ainda, mas falar, ah, todo mundo fala muito.
Mulheres saltam de bar em bar, pois, nos dias de hoje, já fica-se muito só, melhor não ficar sóbria.
Homens cada vez mais imbecis se acotovelam covardemente para conquistar o que chamo de direito de achar – sim, de achar - que tem mais que o outro, pegou mais que o outro, objetivando só Deus sabe o quê. Talvez o status da vaga de síndico no futuro.
Mas o fato é esse. Como diria o transeunte do agreste: - A coisa ta braba!
A esperança do que o acaso poderia trazer ao virar da esquina parece esvair-se tão rápido quanto nossos distantes 15 anos. As pessoas andam descrentes - e ao desavisado aviso - não é de crença que estou falando.
As uniões preguiçosas são as mais comuns hoje. Não tem tu vai tu mesmo. Está então formada uma família feliz.
Talvez pela precocidade, o transpor de etapas, entedia-se mais cedo, arrepende-se mais tarde.
Mas não vim aqui tentar dar respostas, tampouco sou crédulo da minha razão, aliás, nem sei porque escrevi isso, acho que só porque ta na moda mesmo.
(Leandro Matias)
O barco
Pode ser que o barco vire
O acaso dirá
Ou quem sabe o amanhã
Mas o doce o mar dos teus braços
O calmo estar do teu colo
Me diz que não
É certo que a chuva cairá
Mas tanto faz
Com você
Deixo estar.
(Leandro Matias)
O acaso dirá
Ou quem sabe o amanhã
Mas o doce o mar dos teus braços
O calmo estar do teu colo
Me diz que não
É certo que a chuva cairá
Mas tanto faz
Com você
Deixo estar.
(Leandro Matias)
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Não tão perverso
“Todos sentem uma ponta de felicidade com a desgraça alheia”. Casta insanidade!? Uma observação dessa natureza provoca estupefação generalizada. Mas o que afirma meu avô, com a vivência dos 90 e a lucidez de um senhor ainda amante da literatura, ou vice-versa, acendeu-me, além de breves instantes de irresignação, delongados lapsos temporais de reflexão. Felicidade com a desgraça de todos? Todos?! Não sei se somos tão perversos assim...
Certamente, até o modernista francês Jean-Paul Sartre se sacode dentro da tumba com uma universalidade realista-existencial dessa dimensão. Será que realmente nos satisfazemos, lá no íntimo, com a consternação alheia? Ou será que meu avô quer apenas ser um Nelson Rodrigues do comportamento humano, com frases de sei lá... “O homem como ele é”?
Na verdade, sou descrente na irrestrita bondade humana. Tampouco acredito na absoluta transparência de personalidade. Os exíguos 23 anos foram se passando e a vida se encarregou de desmascarar esta ilusão. Ainda em um eventual início de vida, já tenho legiões de desapegos e perenes mal-grados. Não gosto deles e se fosse eles também não gostaria de mim!
Mas como abraçar a todos com esse suposto regozijo pela tristeza e frustração alheias? Tendências à parte, elejo por ficar em cima do muro e seguir analisando, levando em frente apenas o método experimental. Talvez, quando montar à lucidez dos 90, eu atinja à ilação. Por enquanto, com o cansaço dos 23, não sei nem quanto a mim, se realmente me aformoseia o interior a tristeza alheia, mas, sem buço de dúvidas, não a causo propositalmente. E isso já me torna bem menos perverso que a maioria...
(Flávio Pinheiro)
Certamente, até o modernista francês Jean-Paul Sartre se sacode dentro da tumba com uma universalidade realista-existencial dessa dimensão. Será que realmente nos satisfazemos, lá no íntimo, com a consternação alheia? Ou será que meu avô quer apenas ser um Nelson Rodrigues do comportamento humano, com frases de sei lá... “O homem como ele é”?
Na verdade, sou descrente na irrestrita bondade humana. Tampouco acredito na absoluta transparência de personalidade. Os exíguos 23 anos foram se passando e a vida se encarregou de desmascarar esta ilusão. Ainda em um eventual início de vida, já tenho legiões de desapegos e perenes mal-grados. Não gosto deles e se fosse eles também não gostaria de mim!
Mas como abraçar a todos com esse suposto regozijo pela tristeza e frustração alheias? Tendências à parte, elejo por ficar em cima do muro e seguir analisando, levando em frente apenas o método experimental. Talvez, quando montar à lucidez dos 90, eu atinja à ilação. Por enquanto, com o cansaço dos 23, não sei nem quanto a mim, se realmente me aformoseia o interior a tristeza alheia, mas, sem buço de dúvidas, não a causo propositalmente. E isso já me torna bem menos perverso que a maioria...
(Flávio Pinheiro)
Apenas Sonho
Esse sonho não acaba
A angústia que me enlaça
Sinto o frio de outros corpos
Não és tu que me abraça!
Imagino, sorrio
O sonho, ainda tenho
Durmo consciente
Lembro e venho
Acordo, mas ainda sonho
É o lapso da consciência
Vivo entre ilusões;
Sonhar é minha penitência!
(Flávio Pinheiro)
A angústia que me enlaça
Sinto o frio de outros corpos
Não és tu que me abraça!
Imagino, sorrio
O sonho, ainda tenho
Durmo consciente
Lembro e venho
Acordo, mas ainda sonho
É o lapso da consciência
Vivo entre ilusões;
Sonhar é minha penitência!
(Flávio Pinheiro)
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