A temporada de propaganda eleitoral no rádio e na televisão chegou ao fim. Porém, os absurdos e horrores que foram presenciados pelos poucos que se submeteram à tortura de ver o programa não passaram despercebidos. Alguns conseguem achar motivos de graça e humor, como se política fosse pura brincadeira. Para outros, contudo, política deve ser coisa séria (a frase se apresenta de forma tão absurda em nossa realidade “politiqueira” que parece até irônica).
Observando a propaganda gratuita eleitoral pode constatar-se a existência de diversos tipos de propostas e candidatos: em primeiro lugar, encontra-se o clássico, o famoso candidato de discurso apelativo de “populacho”; logo em seguida, vem os de discursos de apoio, onde o candidato titular do tempo de propaganda quase não fala (ou realmente não fala!); há os candidatos que elaboram as promessas de “mundos e fundos”, sem qualquer aparente consideração com as questões orçamentárias ou com o respeito pela crença ou inteligência do eleitor; tem, também, os candidatos do voto de protesto, e uma nova espécie a pouco identificada, o candidato das promessas absolutamente impossíveis. Esses apresentam como carro-chefe da sua candidatura, a proposta de “fiscalizar a governadora e a execução dos projetos federais”, conclamando para si, a um só tempo, as atribuições de vereador municipal, deputado estadual e federal (vejam só que super-candidato!). E não são só os vereadores. Tem também candidato a prefeito dizendo que vai aumentar o salário dos médicos municipais, quando se sabe que quem tem a atribuição para aumentar os vencimentos dos cargos e empregos públicos é a Câmara Municipal, mediante lei.
Críticas pessoais e subjetivas à parte, a conclusão objetiva a que se pode chegar é uma só: a propaganda eleitoral no rádio e na televisão não serve a sua precípua finalidade de apresentar propostas sérias e ajudar na escolha de candidatos. Concordo que existem alguns candidatos que a encaram com seriedade e utilizam-na como base de sua campanha eleitoral, principalmente os que têm poucos recursos. Contudo, o que deveria ser regra é exceção (quase imperceptível).
Uma mudança de situação requereria atitude conjunta dos Poderes Públicos, Partidos Políticos e da Sociedade em geral. O alcance de resultados em curto prazo é de difícil realização.
Parece que a nossa recente democracia ainda tem um longo caminho de conscientização e amadurecimento político a percorrer. Mesmo assim, ainda fica aqui o imediato e desesperado apelo, afinal de contas, as eleições para o ano de 2010 já estão aí. Em pouquíssimo tempo, o “show de horrores” estará de volta. Por favor, alguém faça alguma coisa!!! Ninguém agüenta mais ver.
(Eduardo Sousa Dantas - concluinte do curso de Direito da UFRN e eleitor insatisfeito)
*artigo elaborado durante as eleições para os cargos de prefeito e vereador do Município de Natal